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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Corrupção na Penitenciária de Petrolina: Polícia Civil indicia 9 suspeitos, incluindo o ex-diretor da unidade

Nove suspeitos de participação no forte esquema de corrupção na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, localizada em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foram indiciados por cinco crimes. A Polícia Civil concluiu a investigação e remeteu o inquérito para avaliação do Ministério Público, que ainda não se posicionou.

Na lista de indiciados está o ex-diretor da unidade, Alessandro Barbosa Martins de Sousa, afastado das funções públicas desde agosto de 2025 quando foi deflagrada a operação Publicanos. Também inclui policiais penais e detentos.

A investigação indica que valores via Pix teriam sido repassados ao ex-gestor como propina para liberação de entrada de drogas, bebidas alcoólicas, celulares e negociação de venda de cantinas e até camas na unidade prisional. Mensagens de WhatsApp, anexadas ao processo, serviram de provas.

Alessandro, apontado como o líder do "núcleo de agentes públicos", permaneceu com tornozeleira eletrônica até abril deste ano.

A Polícia Civil se pronunciou sobre a conclusão do inquérito apenas por meio de nota oficial.

No texto enviado à coluna Segurança, informou que, na investigação, foram individualizadas as condutas atribuídas a cada um dos suspeitos, indiciados por cinco crimes: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa e ingresso ou facilitação de ingresso de aparelho telefônico em estabelecimento prisional.

A nota não informou os nomes de todos os indiciados nem detalhou as suspeitas que recaem sobre cada um.

EX-DIRETOR NEGOCIAVA "PRIVILÉGIOS", APONTOU MP

Em recente parecer à Justiça, contrário ao retorno de Alessandro às funções públicas, o Ministério Público afirmou que ele valia-se do cargo para "negociar privilégios, transferências, funções de 'chaveiros' e 'cantineiro', além de facilitar regalias a detentos de alta periculosidade, em troca de vultosas vantagens indevidas".

No inquérito, consta que o ex-diretor e a esposa movimentaram mais de R$ 3,3 milhões desde abril de 2022 - valor incompatível com a renda mensal declarada pelo casal.

Outros indícios também foram indicados, como a informação de que Alessandro teria exigido a quantia de R$ 5 mil de cada pavilhão da unidade como "presente de aniversário", além de valores extras para compra de motos e "patrocínio" de festa pela aprovação de um filho no vestibular.

A defesa do ex-diretor nega as suspeitas. Na época da operação disse, em nota, que os valores apontados na investigação não condizem com a realidade financeira de Alessandro e da esposa e que eles vivem "de forma modesta".

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