O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band reuniu apenas os candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) porque Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) fugiram do embate realizado neste domingo (23) a partir das 20h, terminou por volta das 21h42 e foi marcado por ataques concentrados no presidente ausente e as denúncias de corrupção contra o seu governo, com Flávio relegado a segundo plano.
Renan Santos se beneficiou dos fujões usando o tempo de televisão para ganhar projeção. Nos bastidores houve ameaça de desistência de Cury (que chegou a anunciar saída e depois recuou), protestos de militantes da UP pela exclusão de Samara Martins e jogos de cena de Renan (incluindo fraldas com os nomes de Lula e Flávio e um papel com a palavra “ladrão” colocado no púlpito reservado a Lula).
Renan Santos (Missão, ~4% no Datafolha) foi o mais agressivo. Chamou Lula de “canalha”, “bêbado” e “safado”, acusou eleitores petistas (exceto os do Bolsa Família) de serem “canalhas” e disse que não queria o voto deles. Criticou mensalão, petrolão, a relação com China e EUA, a falta de combate ao crime organizado em governos petistas no Ceará e Bahia, e o filho Lulinha. Atacou também a Record (que entrevistava Lula no mesmo horário) por “se entregar” ao presidente, citando o escândalo Digimais. Sobre Flávio, lembrou rachadinhas, o Banco Master/Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse. Nas considerações finais, citou o impeachment de Dilma e criticou o governo Bolsonaro.
Ronaldo Caiado (PSD, ~5%) criticou ambos os ausentes (“dois fujões”), mas focou mais em Lula: redução do poder de compra, omissão no combate ao crime organizado e política externa (Itamaraty como “porta-voz do PT”). Sobre Flávio, cobrou explicações sobre o Dark Horse e contrastou com o “Dark Lobby” de Lula. Destacou seus 40 anos de vida pública sem envolvimento em “bandalheira” (rachadinha, petrolão, Vorcaro/Master), exaltou índices de segurança e educação em Goiás, propôs integração de forças de segurança, presídios federais e lei que obrigue candidatos a debater. Pediu que eleitores reflitam sobre a ausência dos favoritos e “dêem uma chance ao Brasil”.
Augusto Cury (Avante) adotou tom de palestrante. Criticou o “caos” educacional sob Lula e cobrou sua presença. Defendeu mudanças no currículo (empreendedorismo, gestão financeira, oratória e mais esporte para combater “drogas químicas e digitais”), ajustes no Bolsa Família (manutenção temporária do benefício para quem formaliza emprego ou abre MEI) e formação de um “time de ouro” de gestores sem histórico de corrupção. Poucas críticas a Flávio; lamentou a polarização de forma genérica. Nas considerações finais, citou sua trajetória (de escola pública a psiquiatra mais lido do mundo, com 70 livros) e pediu vídeos de apoio: “O Brasil tem cura”.
Cury chegou a convidar Caiado para ministro da Segurança. Caiado falou em autorizar governadores a legislar sobre segurança pública. Houve reclamação da candidata Clariana Barão (DC) pela ausência de mulheres no debate. Zema foi praticamente ignorado; alguns nos bastidores viram sua desistência como sinal de que a candidatura pode não avançar.
Em síntese, o confronto serviu mais como palanque de ataques a Lula (principal alvo) e de projeção para os “terceiros” do que como embate entre os favoritos. Flávio, que temia ser o foco das críticas, ficou em segundo plano, enquanto Renan explorou o espaço para frases de efeito e exposição. (Via: Diário do Poder)
Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram
