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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Ex-diretor do Presídio de Vitória de Santo Antão é um dos presos em operação contra corrupção

O policial penal Emanoel França de Lima, ex-diretor do Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, foi preso durante a operação Controle Paralelo, deflagrada nesta terça-feira (25). Segundo o inquérito da Polícia Civil, o servidor foi um dos beneficiados no forte esquema de corrupção e extorsão na unidade prisional.

A investigação teve início em outubro de 2022, a pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que recebeu denúncias de familiares de presos sobre supostas extorsões e agressões praticadas por um detento que tinha o papel de chaveiro na unidade, ou seja, comandava pavilhões e ditava regras com a conivência do Estado.

"O que ficou demonstrado é que havia uma estrutura de controle paralelo dentro da unidade. O chaveiro exercia um poder de fato sobre outros presos e utilizava a violência como instrumento de cobrança. Os familiares eram constrangidos a pagar porque já sabiam que, caso não houvesse o pagamento, as agressões poderiam continuar", pontuou o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE).

Em geral, as cobranças eram referentes a pagamentos por colchões nas celas, produtos adquiridos em cantinas irregulares, entre outros.

"A gente identificou não só extorsões praticadas pelo chaveiro, mas corrupção sistêmica envolvendo policiais penais e então diretor da unidade", completou.

O ex-diretor teria sido responsável pela permanência do detento na posição de liderança informal na unidade. "A investigação aponta que essa relação não era meramente circunstancial. Há elementos que demonstram proximidade, inclusive financeira, e que precisam ser analisados dentro do contexto de corrupção", ressaltou o delegado.

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional era movimentada por familiares dos policiais penais e também destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro, que desde 2024 está solto e agora novamente é considerado foragido.

"A empresa tem origem duvidosa e teria sido criada, segundo nosso entendimento, para promover a lavagem de capitais através da criação de viveiros de camarão", disse o delegado. O suspeito também possui um depósito onde guarda insumos.

OPERAÇÃO

Emanoel França foi preso no município de Escada, enquanto outro policial penal aposentado foi capturado em Vitória de Santo Antão. Além deles, foram presos um sobrinho do ex-chaveiro (no momento do cumprimento, ele foi autuado em flagrante com uma espingarda calibre 12) e um ex-presidiário ligado ao tráfico de drogas e lavagem de capitais. Os nomes não foram informados.

Outros dois mandados de prisão ainda não foram cumpridos. Os alvos são outro policial penal e o ex-chaveiro (na casa dele foram encontradas três armas de fogo).

Catorze mandados de busca e apreensão foram cumpridos, inclusive na empresa que vende camarões em Porto de Galinhas.

A Justiça ainda autorizou o bloqueio de bens dos investigados, com valor de aproximadamente R$ 3,5 milhões.

"Esse bloqueio é importante para evitar que os investigados se desfaçam do patrimônio e para garantir uma eventual reparação dos prejuízos causados. A operação não encerra a investigação, porque estamos analisando documentos, movimentações financeiras e outros elementos apreendidos", afirmou Pinto.

O grupo é investigado por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio.

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EX-DIRETOR SEGUIA EM FUNÇÕES PÚBLICAS

Em nota à imprensa, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) declarou que os policiais penais presos na operação não exercem cargos de gestão desde novembro de 2023. "Foram afastados pela atual gestão", disse.

Segundo a Polícia Civil, atualmente Emanoel cumpria funções públicas no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, mas não em cargo de chefia.

As defesas do ex-direitor e demais investigados não foram encontradas para comentar o caso. (Via: Jc)