Socialite.activate (elemento, 'Widget');

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Deputados investigados no STF aumentam patrimônio em R$ 33,9 milhões; pernambucano lidera ranking

Nove deputados federais investigados em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de desvio de emendas parlamentares e da cota parlamentar tiveram, juntos, um aumento patrimonial de mais de R$ 33,9 milhões entre os bens declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022 e os registrados neste ano. Entre os parlamentares, o maior crescimento foi do pernambucano Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), que viu seu patrimônio aumentar em R$ 13,3 milhões no período. As informações são do UOL.

Além de Fernando Coelho Filho, integram o levantamento Carlos Jordy (PL-RJ), Dal Barreto (União Brasil-BA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Júnior Mano (PSB-CE), Juscelino Filho (União Brasil-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Quase todos os parlamentares disputam a reeleição nas eleições deste ano. As exceções são Júnior Mano, que concorre como primeiro suplente de senador na chapa de Cid Gomes (PSB), e Carlos Jordy, que busca uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.

Os processos que envolvem os deputados estão sob sigilo. Por isso, o levantamento considerou apenas parlamentares que já foram alvos de operações policiais divulgadas pela imprensa ou que tiveram pedidos de ação apresentados pela Polícia Federal (PF). Segundo o UOL, dezenas de processos relacionados a supostos desvios de emendas envolvendo parlamentares tramitam no STF, mas permanecem em segredo de Justiça. Para comparar a evolução patrimonial, foram considerados os bens declarados pelos políticos ao TSE em 2022 e no registro de candidatura de 2026.

Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram

Pernambucano lidera aumento patrimonial

O maior crescimento foi registrado por Fernando Coelho Filho, deputado federal por Pernambuco e ex-ministro de Minas e Energia. Os bens declarados por ele passaram de R$ 3,7 milhões, em 2022, para R$ 17,1 milhões neste ano. A diferença é de aproximadamente R$ 13,3 milhões, o que representa um crescimento de 362%.

O patrimônio declarado pelo pernambucano inclui ações, direitos creditórios, imóveis e veículos. Em fevereiro deste ano, Fernando Coelho Filho foi alvo de uma operação da PF ao lado do pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho. As investigações apuram supostos desvios de emendas parlamentares destinadas a Petrolina, no Sertão de Pernambuco, além de possíveis fraudes em licitações.

Na Bahia, dois deputados aparecem no levantamento. Dal Barreto foi alvo direto da sexta fase da Operação Overclean, em outubro de 2025. Na ocasião, a PF apreendeu o celular do parlamentar durante uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações e desvio de emendas. Entre 2022 e 2026, o patrimônio declarado por ele praticamente dobrou, passando de R$ 7,3 milhões para R$ 14,7 milhões. Entre os bens estão terrenos, participações em empresas e investimentos.

Já Elmar Nascimento não foi alvo direto da operação, mas familiares do deputado foram atingidos por mandados durante a quinta fase da Overclean. Em quatro anos, o patrimônio declarado por Elmar passou de R$ 2,5 milhões para R$ 8,5 milhões. Entre os bens registrados estão imóveis, um jet-ski e um quadriciclo.

Outros parlamentares

No caso de Pastor Gil, que integra o PL do Maranhão, o patrimônio cresceu R$ 552 mil no período. O deputado declarou neste ano um imóvel, um terreno, um carro, dinheiro em conta bancária, R$ 100 mil em espécie e aplicações financeiras.

O parlamentar está entre os primeiros deputados condenados pelo STF em um processo relacionado ao desvio de emendas. Em março deste ano, a Primeira Turma da Corte condenou, por unanimidade, os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) — que não se candidatou — e Pastor Gil por corrupção passiva. O processo ainda está na fase de recursos e não transitou em julgado.

No Rio de Janeiro, Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, e Carlos Jordy foram alvos da Operação Galho Fraco, realizada em dezembro do ano passado e voltada à apuração de suspeitas relacionadas à cota parlamentar.

Durante a operação, os agentes apreenderam cerca de R$ 470 mil em um flat utilizado por Sóstenes. Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel em Minas Gerais. Em 2022, ele havia declarado cerca de R$ 5 mil em dinheiro no banco. Neste ano, informou ter R$ 500 mil em espécie, referentes à venda do imóvel, além de um terreno de R$ 100 mil em Brasília. Ao todo, o patrimônio cresceu aproximadamente R$ 595 mil.

Carlos Jordy declarou aumento de R$ 982 mil nos bens. Em 2026, incluiu um apartamento em Niterói (RJ) avaliado em R$ 1 milhão, comprado com um sinal de R$ 321 mil e o restante financiado em 35 anos. Também declarou R$ 33 mil em aplicações de renda fixa. Em 2022, o patrimônio informado era de R$ 122 mil, composto por aplicações financeiras e R$ 20 mil em dinheiro.

Outro nome do levantamento é Júnior Mano. Em 2022, quando estava filiado ao PL, o deputado declarou R$ 371 mil em patrimônio. Atualmente no PSB, ele disputa o cargo de primeiro suplente de senador na chapa encabeçada por Cid Gomes. Para as eleições deste ano, declarou R$ 997 mil em bens, um crescimento de R$ 625,8 mil.

Já Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, aparece no fim do ranking de crescimento patrimonial. O deputado foi alvo de desdobramentos de investigações da PF, como as operações Odoacro e Benesse, que apuram supostos desvios de emendas parlamentares, fraudes em licitações e corrupção em contratos de obras de pavimentação em Vitorino Freire (MA). Entre 2022 e 2026, os bens declarados por ele aumentaram R$ 163,4 mil, chegando a R$ 4,6 milhões neste ano.

Crescimento patrimonial

Para Cristiano Pavini, coordenador de projetos da Transparência Brasil, o aumento expressivo de patrimônio, por si só, não significa necessariamente que tenha ocorrido alguma irregularidade. O especialista, no entanto, ressalta que os crescimentos patrimoniais precisam ser justificáveis e que situações como essas devem servir de alerta aos órgãos de controle.

Pavini também chama atenção para a forma como recursos provenientes de emendas podem ser desviados. Segundo ele, em muitos casos, o dinheiro é “camuflado” por meio de laranjas, empresas de fachada e contratos informais que não aparecem nas declarações.

Outro ponto citado pelo coordenador são as chamadas “emendas paralelas”, expressão utilizada pela Transparência Brasil para se referir a recursos aprovados pelo Congresso e incorporados à Lei Orçamentária, mas que deixam de ser tratados formalmente como emendas. Segundo Pavini, esses recursos se misturam ao orçamento livre da União e perdem mecanismos de rastreabilidade.

“Essas emendas se misturam aos recursos livres da União e perdem todos os marcadores de rastreabilidade. Os parlamentares se apropriam desses recursos com ofícios. Não são mais emendas, mas os parlamentares tratam como se fossem”, explicou.

O advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral e administrativo, também aponta falhas de transparência, especialmente em recursos destinados à realização de eventos. Segundo ele, ainda há pouca clareza sobre o destino final do dinheiro público utilizado nessas contratações.

“Há uma brecha muito grande aí na contratação de artistas. Tem regras para contratação direta e esses artistas, normalmente, são intermediados por agentes terceiros. Os repasses para esses eventos são muito nebulosos. O fundamental de aprimorar é a transparência e fiscalização sobre a forma desses gastos”, afirmou Rollo.

Salário dos deputados

Cada deputado federal recebe atualmente remuneração bruta de cerca de R$ 46 mil, correspondente ao teto do serviço público. Com os descontos previdenciários e outros abatimentos, o valor líquido fica em torno de R$ 34 mil, podendo variar de acordo com cada parlamentar. Considerando o valor líquido, a remuneração pode chegar a aproximadamente R$ 408 mil por ano.

Além do salário, os deputados podem exercer outras atividades privadas remuneradas.

O outro lado

Procurado pelo UOL, Dal Barreto afirmou que o crescimento de seu patrimônio é resultado de sua atuação empresarial, de forma lícita e devidamente declarada. Sobre a investigação, disse que já se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Félix Mendonça Júnior atribuiu o aumento patrimonial ao recebimento da herança deixada pelo pai, morto em 2020. Segundo o deputado, o valor total recebido foi de R$ 4,6 milhões e a herança foi devidamente declarada à Receita Federal.

Os deputados Carlos Jordy, Elmar Nascimento, Fernando Coelho Filho, Júnior Mano, Juscelino Filho, Pastor Gil e Sóstenes Cavalcante também foram procurados, mas não responderam até a última atualização do levantamento. O espaço permanece aberto para manifestações.