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sábado, 29 de agosto de 2026

Lula ou Flávio Bolsonaro: quem foi melhor nas entrevistas da sabatina da TV Globo após o Jornal Nacional

Líderes em intenções de votos na campanha presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram pela bancada do Jornal Nacional durante a semana para entrevistas, nas quais tiveram a oportunidade de responder questionamentos e apresentar suas ideias aos eleitores. O jornal O Globo, com seu time de colunistas, acompanhou e analisou as entrevistas em tempo real, com balanços ao final de cada uma.

Entre os dois, o primeiro entrevistado, na quinta-feira (27), foi Lula, que concorre à reeleição, no que seria seu quarto mandato no cargo. Já Flávio, senador que busca pela primeira vez a presidência, foi ouvido ontem (28). Ao longo da semana, a TV Globo também entrevistou Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), outros postulantes ao cargo.

Veja os comentários dos colunistas sobre os desempenhos de Lula e de Flávio no Jornal Nacional:

Lula (PT)

Thomas Traumann: “Desacostumado a entrevistas duras, o presidente Lula passou a maior parte do tempo na defensiva, respondendo sobre casos de corrupção envolvendo seu filho e ex-chefe de gabinete. Encerrou se perdendo no tempo das considerações finais”.

Míriam Leitão: “O candidato Lula da Silva enfrentou as perguntas sobre corrupção admitindo que o filho será punido se tiver cometido erros e que as ações do seu ex-chefe de gabinete levam desconfiança para o governo. Mas lembrou que a quadrilha do INSS foi montada em 2019 e foi investigada e presa pelo governo dele. Deu boas respostas para perguntas muito duras. Errou quando quis criticar a pergunta pertinente da Renata Vasconcellos sobre contas públicas. Na área fiscal, a atitude de dizer que fez superávit no passado não resolve nenhuma das dúvidas atuais sobre a trajetória da dívida. Na educação, surfou com dados e entusiasmo. Na segurança, deu resposta boa. E soube pedir votos”.

Merval Pereira: “Lula parece cansado ao final da entrevista”.

Vera Magalhães “A experiência de Lula fez com que encarasse com desenvoltura uma entrevista dura. Defendeu investigação do filho e de Marcola. Evitou de novo falar em corte de gastos, dizendo que produziu superávits em todos os seus mandatos. Derrapou na agressividade com Renata Vasconcellos depois de uma sucessão de perguntas sobre corrupção. O fim da escala 6×1 ficou de fora e ele esqueceu de colocar nas considerações finais”.

Fabio Graner: “Lula se mostrou firme nas respostas sobre os questionamentos em torno das denúncias contra seu filho e os escândalos do INSS e do Master, mas não conseguiu uma resposta que o tirasse rapidamente do tema. No debate sobre contas públicas, evocou seu passado, disse ter compromisso com responsabilidade, mas enfraqueceu o discurso do seu ministro da Fazenda, a quem havia autorizado sinalizar postura mais forte no fiscal. Na educação, mostrou se importar com o tema e querer fazer mais, sem deixar claro como. E na segurança, fez um discurso muito técnico para um assunto que mexe com emoções. Saiu da entrevista sem brilhar, mas também não se prejudicou”.

Bernardo Mello Franco: “Questionado sobre as suspeitas que envolvem o filho e o ex-chefe de gabinete, Lula se refugiou na presunção de inocência, prometeu não interferir na PF e tentou usar o caso para se diferenciar de Bolsonaro. Depois da bateria de perguntas sobre corrupção, fez piada e mostrou alívio ao ter que tratar do crescimento da dívida pública. Foi melhor ao pregar uma ‘revolução tecnológica’ e prometer mais investimentos em educação num eventual quarto mandato”.

Bela Megale: “No tema mais difícil que foram as acusações contra seu filho, Lula se descolou das investigação, cobrou apurações e justiça para aliados e para o próprio Lulinha. Ao mesmo tempo os acolheu, dizendo que é preciso ter presunção de inocência. Vendeu aos eleitores a esperança de prosperidade, falou sobre o Brasil explorar minerais críticos e ocupar uma posição de disputa com países ricos. Faltaram temas como soberania e escala 6×1. Em alguns momentos, o presidente se mostrou exaltado, especialmente nas perguntas sobre as investigações envolvendo seu filho e aliados”.

Flávio Bolsonaro (PL)

Thomas Traumann: “Flávio Bolsonaro segue sem explicar como arrancou R$ 60 milhões de um banqueiro corrupto, como o miliciano Adriano é um “policial exemplar” e fugiu de qualquer detalhe de como vai recuperar a economia”.

Bernardo Mello Franco: “Flávio Bolsonaro não conseguiu dar explicações convincentes sobre a intimidade com Daniel Vorcaro, as relações com o chefe do Escritório do Crime e a rachadinha em seu gabinete na Alerj. Voltou a negar a tentativa de golpe e evitou se comprometer com o respeito ao resultado das urnas. Na pauta econômica, renegou as medidas impopulares defendidas por economistas e investidores que o apoiam. Em seu favor, manteve a calma e não repetiu os rompantes do pai em entrevistas”.

Míriam Leitão: “Flávio Bolsonaro se preparou bem para dar respostas prontas, manteve o tom sereno, mas repetiu todas as respostas que sempre deu para fugir das explicações sobre as suas relações com o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro. Não quis sequer se comprometer a divulgar o contrato que fez com Vorcaro, alegando que a imprensa já fez isso. Também deu explicações falsas para a sua relação com o miliciano e chefe do escritório do crime no Rio, Adriano da Nóbrega, alegando que quando o condecorou e empregou seus familiares ele era “policial exemplar”. Não se comprometeu com o ajuste fiscal. Negou a mudança climática e mostrou ignorância sobre o tema. Mentiu em vários momentos, mas a mais curiosa das mentiras foi a de acusar o Baptista Jr, brigadeiro que Bolsonaro nomeou, de ter declarado voto em Lula”.

Vera Magalhães: “Flávio soou altamente ensaiado e mentiu sobre temas importantes, como o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro e a participação dele e do irmão Eduardo na obtenção de sanções contra o Brasil pelos Estados Unidos. Treinado, voltou atrás em ataques contra as urnas eletrônicas e negacionismo climático. Procurou se apresentar moderado e sereno, mas parecia os personagens de IA que adora usar em suas redes”.

Bela Megale: “Flávio respondeu com calma e equilíbrio às perguntas, mas não explicou temas importantes, como o dinheiro que pediu a Vorcaro e os gastos do filme sobre o pai. Na economia, não disse de quanto vai ser o ajuste fiscal e nem se vai indexar a aposentadoria ao salário mínimo. No meio ambiente, mostrou ser negacionista como Jair Bolsonaro”.

Fábio Graner: “Flávio Bolsonaro fez um jogo tático, não explicou o que tinha para explicar, como a relação com Daniel Vorcaro, e por isso não conseguiu virar a pauta da entrevista e nem mostrar postura propositiva. Quando chegou no tema em que teria condições de mostrar algum caminho para seu ajuste fiscal, não conseguiu indicar um rumo claro. Com certa soberba, aposta em ser anti-PT para derrubar a taxa de juros e resolver o problema fiscal. Pressionado na maior parte do tempo, não se abalou, como seus adversários esperavam, e vendeu um ar de confiança, mas seguirá com nuvens pairando sobre sua cabeça”.

Merval Pereira: “Do ponto de vista do marketing, Flávio foi bem. Do ponto de vista do conteúdo, mentiu muito”.

Pablo Ortellado: “Assim como Lula, Flávio Bolsonaro teve um desempenho razoável, respondendo como pode as grandes dúvidas que recaem sobre ele. As respostas sobre suas ligações com a milícia e com Vorcaro foram pouco convincentes — mas talvez seja o melhor que ele consegue fazer. Quando perguntado sobre políticas públicas, no segundo bloco, foi mais fraco do que Lula. Seu entendimento de que as mudanças climáticas são cíclicas e não causadas pela ação humana indicam descompromisso com a redução de CO². A avaliação do processo golpista de 2022-2023 e sua promessa de anistiar os condenados pelos atos antidemocráticos deixam sérias dúvidas sobre seu compromisso com a democracia. Porém, foi alvissareira sua declaração de respeito às urnas e ao resultado eleitoral”.

Renato Meirelles: “Ele estava bem preparado, não escorregou e apresentou com competência a melhor versão das posições que defende. O problema é que entrevista também é aquilo que fica na cabeça de quem assiste. Para o eleitor indeciso, foram 40 minutos de jornalistas relembrando acusações, controvérsias e relações incômodas do seu passado”. (Via: O Globo)

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