Dez anos após o impeachment de Dilma Rousseff, personagens que tiveram participação decisiva no processo de 2016 seguiram caminhos distintos na política e no meio jurídico. O afastamento da petista projetou nomes até então pouco conhecidos nacionalmente, rompeu antigas alianças e aprofundou uma divisão política que atravessaria os anos seguintes. Enquanto aliados de Dilma classificaram sua queda como “golpe”, os responsáveis pelo pedido e seus apoiadores sustentaram a legalidade do processo.
Uma das figuras que ganhou maior projeção foi Janaina Paschoal (PP), coautora do pedido de impeachment ao lado dos juristas Miguel Reale Júnior e Hélio Bicudo. A exposição durante o processo ajudou Janaina a conquistar, em 2018, uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo com votação recorde. Atualmente vereadora paulistana, ela tenta chegar à Câmara dos Deputados e adotou na campanha o slogan “a mulher do impeachment”. Michel Temer (MDB), por sua vez, deixou a Vice-Presidência para assumir o Palácio do Planalto após a saída de Dilma. Chamado de “golpista” por adversários petistas, ele sempre negou ter conspirado para derrubar a então presidente.
No Congresso, outros personagens tiveram atuação central. Eduardo Cunha (MDB), então presidente da Câmara e já rompido politicamente com o governo, aceitou o pedido e comandou a tramitação inicial. Cassado ainda em 2016 após o episódio envolvendo contas bancárias no exterior, ele agora tenta retornar à Câmara pelo Republicanos, desta vez por Minas Gerais. Aécio Neves (PSDB), derrotado por Dilma na eleição presidencial de 2014 e uma das principais vozes da oposição durante o impeachment, também busca um novo destino eleitoral: após articulação com o PDT, disputará uma cadeira no Senado. Já José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União, responsável pela defesa de Dilma, deixou a política partidária e atua como advogado em Brasília.
A votação na Câmara também colocou em evidência Jair Bolsonaro, então deputado federal e integrante do chamado baixo clero. Ao declarar voto favorável ao impeachment, Bolsonaro homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador durante a ditadura militar, provocando forte repercussão. Dois anos depois, Bolsonaro chegou à Presidência da República. Uma década após aquele episódio, está preso após ser condenado no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
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