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sábado, 29 de agosto de 2026

Justiça determina bloqueio de R$ 1 milhão de ex-diretor de presídio suspeito de corrupção

A investigação da Polícia Civil de Pernambuco sobre o esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul, identificou que o ex-diretor Emanuel Roberto Franca de Lima realizou movimentações superiores a R$ 1 milhão, valor considerado incompatível com o cargo público.

Na decisão que determinou as prisões preventivas de seis dos dez investigados no esquema, o juiz Osvaldo Teles Lobo Júnior determinou o bloqueio de até R$ 1.014.856,23 das contas de Emanuel, que também foi preso temporariamente com a deflagração da operação Controle Paralelo na última terça-feira (25). Ele está no Presídio de Itaquitinga II.

No total, a Justiça ordenou o bloqueio de mais de R$ 3,6 milhões dos investigados. A quantia atribuída ao ex-diretor foi a maior.

Já o ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula, apontado pela Polícia Civil como o chaveiro que liderava um esquema de extorsão e corrupção no presídio teve o valor de R$ 307 mil bloqueado – quantia que teria sido obtida no período em que ele estava preso, segundo a apuração.

Alexandre está solto desde 2024. Houve a decretação da prisão temporária, mas ele ainda não foi encontrado. Na casa onde estava morando, foram achadas três armas de fogo.

O inquérito policial indicou que Alexandre negociava privilégios e proteção aos presos da unidade prisional, mediante pagamentos em dinheiro, além de “alugar espaços com camas e comercializar produtos da cantina”.

Presos sofriam violências físicas caso não pagassem os valores determinados pelo ex-chaveiro e os parentes deles recebiam ameaças.

O ex-chaveiro teria relação direta com Emanuel. Em meio a denúncias, o ex-diretor deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, com salário superior a R$ 10 mil, conforme consta no Portal da Transparência.

A investigação policial indicou que familiares de ambos teriam recebido depósitos em dinheiro obtido ilegalmente no esquema. A esposa de Emanuel está sendo investigada pela polícia. Ela é descrita como uma pessoa que realizou movimentações financeiras relacionadas ao núcleo investigado e teria mantido transações diretas com o líder da organização. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 93 mil das contas dela.

Outros dois policiais penais são apontados como integrantes da organização: Mário Alves Batista, que atualmente está aposentado e foi preso na operação (foi recolhido para a unidade de Itaquitinga II), e Paulo Henrique da Silva, que ainda está foragido.

Também foram presos na operação Robson Saturnino de Paula Júnior e Aluízio José Gomes Júnior, apontados como pessoas de confiança de Alexandre e que teriam participação na lavagem de capitais. Ambos foram recolhidos no Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.

De acordo com estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Presídio de Vitória de Santo Antão tem capacidade para 98 detentos. Mas, a população carcerária é de aproximadamente 480, com taxa de ocupação de 490%.

EMPRESA EM PORTO DE GALINHAS

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional também destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro e estaria sendo usado para lavagem de capitais.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 200 mil da Saturnino Pescados LTDA, além de quotas sociais.

O grupo é investigado por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio. (Via: Jc)

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