Socialite.activate (elemento, 'Widget');

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lula tem desempenho apagado em debate e deixou a imagem de desconforto e falta de preparo

Por Cláudio Soares* - Blog Magno Martins - O debate desta eleição deixou uma impressão difícil de ser ignorada. Lula esteve muito aquém do desempenho que se esperava de um candidato com sua experiência política.

Acostumado aos palanques, aos debates e à exposição pública, Lula entrou no confronto com a obrigação de demonstrar serenidade, domínio dos temas e capacidade de liderança. O que se viu, porém, foi diferente.

Em vários momentos, o candidato demonstrou dificuldade para controlar a narrativa. As constantes idas para beber água, a movimentação diante das câmeras e algumas risadas irônicas contribuíram para transmitir uma imagem de desconforto e nervosismo.

Mais preocupante foi a dificuldade de apresentar uma agenda clara para o país. Em vez de aproveitar o tempo para apresentar propostas e discutir o futuro do Brasil, Lula recorreu com frequência ao repertório conhecido de ataques ao adversário, acusações e justificativas sobre o passado.

Para um candidato experiente, isso é pouco.

A experiência deveria servir para transformar um debate em oportunidade de demonstrar maturidade. Quando essa experiência não consegue produzir propostas, segurança e capacidade de conduzir a discussão, ela deixa de ser uma vantagem e passa a ser apenas um dado biográfico.

A “malandragem carioca”. Outro momento que chamou atenção foi a referência à “malandragem carioca”.

A declaração repercutiu nas redes sociais e abriu uma nova frente de desgaste para o candidato. O Rio de Janeiro é um dos maiores colégios eleitorais do país, e qualquer manifestação que possa ser interpretada como uma generalização sobre seu povo tem potencial para provocar forte reação.

Em uma eleição decidida voto a voto, não parece inteligente criar gratuitamente um problema com milhões de eleitores.

O episódio também acabou reforçando uma percepção que já vinha sendo discutida nas redes: a de que Lula não conseguiu impor o ritmo do debate.

O problema central não foi apenas uma frase ou um momento específico. Foi o conjunto.

Lula parecia mais preocupado em responder e atacar do que em apresentar uma visão convincente para o futuro. Em vez de ocupar o centro do debate, passou boa parte do tempo reagindo ao adversário.

E há uma diferença importante entre atacar e demonstrar liderança. Quem está seguro de sua estratégia não precisa transformar cada pergunta em uma batalha.

O debate exigia preparo, objetividade e domínio emocional. Lula entregou, em diversos momentos, o oposto. Hesitação, desconforto e dificuldade para estabelecer uma narrativa própria.

No fim, ficou uma imagem incômoda para sua campanha. A de um candidato experiente que não conseguiu transformar experiência em desempenho.

Se a intenção era demonstrar que Lula continua sendo o político capaz de dominar um debate pela experiência, o resultado foi frustrante.

Lula não parecia um candidato confortável com a possibilidade de vitória. Parecia alguém tentando administrar o risco de uma derrota.

E talvez essa tenha sido a principal mensagem deixada pelo debate. Quando a experiência não vem acompanhada de preparo, serenidade, propostas e capacidade de liderança, ela deixa de ser uma força e começa a parecer apenas passado.

Lula terá no debate da Globo no dia 23 a última oportunidade de se recuperar ou chegará tarde demais para reverter o desgaste acumulado?

*Advogado e jornalista

Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram