Dados da Superintendência de
Seguros Privados (Susep), autarquia do Ministério da Fazenda que regulamenta o
setor, aponta um crescimento de 500% no faturamento do seguro prestamista, ou
seja, aquele em que a pessoa, ao financiar um valor, opta por um seguro em caso
de desemprego, morte ou aposentadoria por invalidez. Os números foram
comparados entre os anos de 2006 e 2014. Ou seja, não pegou a parte mais severa
da crise econômica, que se agravou agora em 2015. A tendência que é a
contratação desse tipo de seguro aumente ainda mais.
O aumento dos seguros pode
estar ligado à crise econômica e ao aumento do desemprego. O Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontou uma
taxa de desemprego na Região Metropolitana do Recife de 13,9% no mês de agosto deste
ano. Outro agravante é a inflação, que está perto dos 10%, levando as famílias
a perderem renda e aumentarem suas dívidas.
O seguro representa uma
garantia para os bancos e financeiras, que tendem a diminuir a inadimplência, e
uma segurança aos familiares do devedor, que não têm a dívida repassada e
garantem a preservação do patrimônio.
No entanto, Fábio Silva,
integrante dos conselhos Federal e Estadual de Economia, alerta que esse
aumento pode mascarar ações dos bancos. “Infelizmente, os bancos têm esse
hábito ruim de incluir seguros nas compras e muitas vezes o cliente nem sabe. É
importante saber até que ponto esse aumento representa o conhecimento das
pessoas. Pode ser que seja uma parte por consciência ou apenas os bancos
visando aumento no faturamento”, disse.
Fábio alerta que os números
divulgados são referentes a 2006 e 2014, um período em que o Brasil atravessou
uma estabilidade e aumento na geração de empregos. “Pode ser que, quando
computados os números de 2015, as contratações também cresçam, estejam ligadas
ao mercado de trabalho. As pessoas estão mais conscientes de que podem perder
seus empregos”, explicou.
Nas ruas, a ideia de contratar
um empréstimo com seguro é bem-vinda. O manobrista Antônio Lourenço, de 31
anos, disse que já recorreu a um empréstimo, mas não fez o seguro. Teria sido
muito útil. O financiamento foi feito em 24 meses, mas ao término do primeiro
ano, ele ficou desempregado. “Usei minha indenização para pagar. Se tivesse o
seguro, não gastaria o dinheiro, pois fiquei pouco tempo sem emprego”, disse.
A atendente de telemarketing
Neide Lúcia, de 32 anos, também fez um empréstimo sem seguro e acha que é uma
boa opção. “Deixa a pessoa com mais segurança”, declarou. Mas ela disse que não
pretende mais recorrer ao financiamento devido às altas taxas de juros. “Paguei
o dobro do que peguei”, disse. “Isso é ótimo, porque do jeito que está a crise,
as famílias acabam ficando com muitas dívidas”, opinou a funcionária pública
Adélia Maria da Conceição, 54 anos. (Via: JC)
Blog: O Povo com a Notícia
