Num instante em que os
investigadores da Lava Jato avaliam que Lula precisa de interrogatórios, o PT e
seus aliados providenciam mais solidariedade. Lançarão na quinta-feira (10) da
semana que vem uma campanha “em defesa da democracia, do estado de direito e do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
O movimento ignora companheiros que eram festejados em
eventos partidários como “guerreiros do povo brasileiro” e hoje estão presos em
Curitiba. Entre eles os condenados José Dirceu e João Vaccari. Ou Antonio
Palocci, enviado pelo juiz Sérgio Moro ao banco dos réus nesta quinta-feira.
Para Lula, um manifesto com passagens assim: “Na democracia,
o Brasil conheceu um período de estabilidade institucional e de avanços
econômicos e sociais, tornando-se um país melhor e menos desigual. Mas essa
grande conquista coletiva encontra-se ameaçada por sucessivos ataques aos
direitos e garantias, sob pretexto de combater a corrupção.” Para os demais,
nenhuma palavra.
A chance de os rapapés dirigidos a Lula surtirem algum efeito
jurídico é nula. A hipótese de o esquecimento dos demais encrencados produzir
mágoas é total. O petismo ainda não se deu conta mas o histórico de delações da
Lava Jato revela que o pior tipo de solidão é a companhia dos advogados na
carceragem de Curitiba.
Pós-graduado em prisão, Dirceu ainda desfruta da companhia do
próprio ego. Mas Vaccari emite sinais de depressão. E Palocci é visto pelos
correligionários como uma alma frágil. Receia-se que não resista a uma rotina
em que o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura sem doce. (Por: Josias de Souza)
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