Contrariando
expectativas para o pleito presidencial norte-americano deste ano, o empresário
bilionário e candidato pelo Partido Republicano Donald Trump venceu na
madrugada desta quarta-feira (09) a ex-primeira dama e ex-secretária de Estado
Hillary Clinton, do Partido Democrata. A Agência Brasil ouviu especialistas
para saber o que muda para o Brasil com o resultado das eleições nos Estados
Unidos.
Leia na íntegra a matéria abaixo:
Economia
O que muda para o Brasil, sob o aspecto econômico, pode ser o que vai
mudar para o comércio mundial como um todo. A avaliação é do economista e
professor da Fundação Getúlio Vargas, Mauro Rochlin. A leitura dos efeitos da
vitória de Donald Trump, segundo ele, é bem mais abrangente sob o ponto de
vista econômico e diz respeito a todo o comércio internacional.
“Como o discurso de Trump é muito protecionista e um tanto xenófobo, o
receio é que isso represente uma restrição maior do mercado norte-americano em
relação às exportações. O discurso apontava para a defesa de empregos
norte-americanos e, especificamente, para a China como uma destruidora de
empregos nos Estados Unidos, o que faria supor que eles seriam menos receptivos
com relação ao comércio com países que pudessem representar uma menor oferta de
empregos lá.”
O especialista acredita que as exportações brasileiras podem ser
prejudicadas caso o discurso do então candidato se converta na prática do agora
presidente eleito Donald Trump.
“Os Estados Unidos são o segundo principal parceiro comercial do Brasil.
As exportações brasileiras para lá têm alto valor agregado. São produtos
manufaturados, ao contrário do que vai, por exemplo, para a China, que são
commodities. Qualquer restrição com relação ao mercado norte-americano seria
ruim para o nosso setor exportador, principalmente de bens manufaturados. Esse
é o maior risco para a economia brasileira”.
Rochlin defende ainda que, diante do novo cenário de vitória de Trump,
os mercados devem “reprecificar” câmbio e bolsas de valores. “As bolsas e o
câmbio refletiam a aposta da eleição da Hillary. Como a expectativa não se
confirmou, o mercado deve precificar essa nova realidade. Na prática, teremos
queda na bolsa de valores a curtíssimo prazo e uma alta do dólar em relação às
demais moedas”, concluiu.
Relação bilateral
Sob a ótica política e da relação bilateral com o Brasil, o professor de
política e administração pública Robert Gregory Michner acredita que os efeitos
serão menores. Ele lembrou que a agenda de Donald Trump, em sua maioria, é “de
ordem doméstica”, cumprindo a tradição da velha guarda republicana nos Estados
Unidos.
“Ele não tem uma grande preocupação com a América Latina, salvo no
sentido negativo, em termos de imigração ilegal. Para os brasileiros que
queiram ir para os Estados Unidos, provavelmente vai ficar mais difícil obter
visto”, disse. “Aquela defesa da democracia e de um governo aberto que tem
Barack Obama não vai ser de muita importância para Trump. Vai ser mais
importante assegurar que todos sejam aliados dos Estados Unidos. Que o Brasil e
a América Latina estejam firmemente pró Estados Unidos.”
O especialista alertou, entretanto, para a possibilidade de
intervencionismo por parte dos Estados Unidos, inclusive em países da América
Latina. “Se o Trump percebe uma ameaça, por exemplo, [da] Venezuela ou Equador,
quem sabe se ele vai ressuscitar a velha política dos republicanos de
intervenção?”
“Basicamente, vamos ver se o discurso dele, que era muito hiperbólico,
exagerado, realmente era pura retórica ou se era um prelúdio à ação. As
promessas eram muito extremas em termos de política externa, de mudar grandes
estratégias dos Estados Unidos em diversos sentidos. O discurso de Trump sempre
foi racista, misógino e pouco tolerante. Vamos ver se isso se traduz,
especialmente em relação aos imigrantes. Fica uma incógnita.”
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