Assista o vídeo:
Por Josias de Souza
Foi ao ar na noite desta
quinta-feira a propaganda partidária do PSDB — dez preciosos minutos em rede
nacional de tevê. Na peça, o tucanato fala dos males da política como um médico
que, após diagnosticar as necessidades do paciente, manda reforçar a dose do
purgante.
Na abertura, o comercial enxerga a moléstia —“A distância entre as pessoas
e os políticos nunca foi tão grande”—, tropeça no óbvio —“A política brasileira
precisa mudar”— e repete a pergunta de US$ 1 milhão —“Por onde essa mudança
começa?”.
No miolo, a propaganda conclui que a saída passa por “uma mudança de
atitude.” E na parte final do vídeo, o PSDB expõe na sua vitrine eletrônica
personagens como Aécio Neves e Geraldo Alckmin, investigados na Lava Jato.
O que o tucanato tem para oferecer? O desafio é “melhorar a política” e
“melhorar a sua vida”, afirma Aécio. E Alckmin: “Trabalhar com esforço e
humildade para tirar o país da crise.”
Sumiram do discurso dos tucanos as críticas aos rivais petistas. Soaria
mal. Seria como tocar trombone sob o telhado de vidro. Não se ouviu na
propaganda nenhuma palavra sobre ética. Natural. Ninguém é louco de falar sobre
corda à beira do cadafalso.
Antes de expor o seu museu de novidades, o PSDB encaixou no comercial um
bate-papo de hipotética espontaneidade entre pessoas selecionadas e jovens
políticos tucanos. Excluiu-se João Dória da roda. Previsível. Muitos enxergam o
prefeito paulistano não como um tucano, mas uma cobra — ou uma espécie de rabo
autossuficiente, que se desgruda do padrinho Alckmin e ganha vida própria.
“Você já percebeu que daqui a cinco anos o Brasil vai comemorar 200 anos
de Independência?”, indaga no comercial Fernando Henrique Cardoso, o
grão-mestre do tucanato. “Já pensou se nesse dia você não precisasse votar
contra alguém, mas a favor de alguém. Votar não com resignação, mas com
esperança. Para esse dia chegar, é preciso passar o Brasil a limpo. E aprender
com os erros…”
Os políticos brasileiros não mudaram muito desde dom Pedro I. Talvez
precisem de um pouco mais de tempo. No estágio em que se encontra, o tucanato
já aprendeu que é errando que se aprende… A errar.
Não faz muito tempo, um presidente do PSDB federal, Eduardo Azeredo, foi
emparedado pela revelação de que, em 1998, quando brigava pela reeleição ao
governo de Minas, suas arcas eleitorais foram contaminadas por um empréstimo
providenciado por Marcos Valério. Em valores da época, coisa de R$ 11,7
milhões, tomado no Banco Rural. Tudo muito parecido com a operação que deu
origem ao mensalão do PT.
Azeredo concluiu seu mandato à frente do partido sem ser importunado.
Quando o Supremo Tribunal Federal estava pronto para julgá-lo, renunciou ao
mandato de deputado federal e foi tentar a sorte nas instâncias inferiores do Judiciário
em Minas Gerais. Multi-investigado, Aécio Neves segue a mesma trilha. Preside o
PSDB sem ser importunado. Quem ouve FHC falando em passar o Brasil a limpo se
pergunta: não seria o caso de iniciar o processo de higienização pelo comando
do ninho?
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