Mais
investimentos em segurança podem não ser, por si só, garantia de um melhor
desempenho no enfrentamento à criminalidade. Os gastos do governo do Estado com
o segmento aumentaram 180% desde a criação do Pacto pela Vida, em maio de 2007, até dezembro de 2016.
A redução gradual nos índices, no entanto, vai até o ano 2013, quando a
política pública conseguiu seus melhores resultados na redução de homicídios e
crimes contra o patrimônio (roubos, furtos, entre outros). A partir de 2014,
teve início a curva ascendente que colocou Pernambuco de volta no ranking dos
Estados mais violentos do Nordeste.
Em números absolutos, foram 4.479 assassinatos em
2016, desempenho que só não foi pior do que o de 2008, com 4.528. A taxa de
homicídios por grupo de 100 mil habitantes, que era de 49,9 em 2007 e baixou a
31,9 em 2013, está em 47,3. Os crimes contra o patrimônio aumentaram 118% entre
2013 e 2016. Na tentativa de tomar as rédeas do controle do Pacto pela Vida,
que completou dez anos esta semana, o governo anunciou, para todo o ano de
2017, investimento recorde na área de segurança pública: R$ 4 bilhões.
Segundo o governo do Estado, dentro do investimento estão contemplados,
além dos gastos fixos, aquisição de helicópteros, viaturas e armamentos,
estrutura física e contratação de 1,5 mil novos policiais. Também estão
previstas ações de prevenção à violência e melhorias no sistema prisional.
Especialistas em segurança, no entanto, têm ressalvas ao aumento de
recursos como única solução para o Pacto. “Saber como e no que investir é
essencial”, diz a pesquisadora Ronidalva Melo, da Fundação Joaquim Nabuco
(Fundaj). Segundo ela, é preciso aliar dinheiro e criatividade. “Falta investir
em ações de prevenção. Câmeras de vídeo, por exemplo, são importantes, mas só
para identificar agressores quando o ato ocorreu. É preciso pensar em formas de
evitar o crime”.
Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal de Campina
Grande (UFCG) José Maria Nóbrega, é necessário um novo desenho no Pacto pela
Vida. “A descontinuidade de ações na área de segurança começou quando (o então
governador) Eduardo Campos deixou o governo, em 2014. Depois veio a crise
econômica e todo o esforço de sete anos se perdeu. Os investimentos atuais
podem não ser suficientes se não houver um novo foco no enfrentamento ao
problema”. Ele diz que é preciso tirar de ação os homicidas contumazes,
responsáveis diretos pelo aumento das taxas de assassinatos. “E mesmo assim, bons
resultados ainda vão demorar a aparecer”.
O secretário estadual de Planejamento, Márcio Stefanni, garante que é
precisamente esse o foco da gestão. “Os investimentos estão sendo feitos em um
momento muito difícil do ponto de vista financeiro, o que mostra nosso
compromisso com a segurança. Temos tirado de circulação os homicidas por
atacado e desarticulando quadrilhas de traficantes”. Segundo Stefanni, a
contrapartida social no enfrentamento à criminalidade depende muito da
recuperação dos empregos. “A crise tem um impacto óbvio. Mas a nossa
expectativa é de uma recuperação até mesmo na geração de empregos, o que vai
refletir nos índices”. (Via: JC)
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