Corregedor do TSE (Tribunal
Superior Eleitoral), órgão máximo da Justiça Eleitoral no país, o ministro
Herman Benjamin participou nesta quarta-feira (10) de uma situação inusitada
momentos antes de entrar em uma audiência pública para discutir a reforma
política na Câmara dos Deputados.
Ao se dirigir à sala da sessão, o
ministro ouviu do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), em tom de piada, uma
história que o parlamentar diz ouvir sempre de uma correligionário seu no
Estado. A de que só existe dois tipos de
político no Brasil, o que usa caixa dois e o mentiroso. Ambos, Castro e
Benjamin, riram muito quando o deputado concluiu a frase.
O caixa dois é o dinheiro usado por
candidatos sem conhecimento da Justiça Eleitoral. No caso da delação da
empreiteira Odebrecht, a prática é enquadrada pelo Ministério Público Federal,
quando não envolve suspeita de atos mais graves, no artigo 350 do Código
Eleitoral (falsidade ideológica eleitoral), com pena de até cinco anos de
prisão.
Durante a sessão houve outras saias
justas. Ela foi comandada pelo presidente da comissão da reforma política,
Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), e pelo relator, Vicente Cândido (PT-SP), ambos
alvos da Lava Jato sob suspeita de receber dinheiro da Odebrecht, via caixa
dois, em troca de favores à empreiteira.
Herman classificou na audiência o
financiamento empresarial - vetado pelo Supremo Tribunal Federal em 2015 como a
"mãe do desastre que vivemos hoje".
Benajmin foi questionado sobre o que
achava da tentativa do Congresso de anistiar o crime de caixa dois eleitoral.
Ele não respondeu diretamente, afirmando que o caso está judicializado, mas
afirmou esperar que o Legislativo tome, se for o caso, uma decisão
"republicana e justa".
Relator da ação que pede a cassação
da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, ele também foi questionado por
deputados se considera que pode haver divisão de responsabilidades nesse caso,
ou seja, se é possível excluir Temer de eventual punição, como quer hoje a
defesa do atual presidente da República. Também sob o argumento de que não iria
se pronunciar sobre assuntos judicializados, o ministro também não respondeu. (Via: Folhapress)
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