A movimentação começou por volta
das 22h de segunda-feira – até o final da manhã, 23 ônibus com militantes
haviam chegado ao local. A maioria dos sem-terra é do próprio estado do Paraná,
mas há manifestantes também vindos de São Paulo. Outros ônibus estão chegando –
a Polícia Rodoviária tem feito bloqueios e revistado os veículos antes de
chegarem a Curitiba.
A expectativa do MST é reunir 20 mil manifestantes na cidade
para prestar apoio ao petista, que será ouvido em processo que apura se ele
recebeu propina da empreiteira OAS no total de R$ 3,7
milhões por meio da cessão de um apartamento tríplex no Guarujá e do
armazenamento de bens ganhados por Lula no exercício da Presidência.
O acampamento que os sem-terra estão montando não contraria a decisão da juíza Diele
Denardin Zydek, da 5ª Vara Pública da Fazenda do Paraná,
que, atendendo a um pedido do prefeito Rafael Greca (PMN),
vetou acampamentos na cidade das 23h de segunda-feira até o término do
depoimento de Lula.
A ação, inclusive, cita nominalmente o MST, alegando risco à
segurança pública da cidade, já que a expectativa dos grupos que apoiam Lula é
reunir cerca de 50 mil pessoas na cidade – só a organização de sem-terra espera
levar 20 mil militantes à capital paranaense. Além dos sem-terra, outros grupos
de esquerda já anunciaram que irão a Curitiba mesmo com a decisão judicial.
A decisão, no entanto, deixava aberta a possibilidade de a
prefeitura e os movimentos que vão a Curitiba apoiar Lula ou a Operação Lava Jato fecharem acordo para
ocupação de determinadas áreas. Foi o que ocorreu com o terreno ao lado da
rodoviária, que pertence à União e foi cedido ao MST – a prefeitura deu o aval
para a instalação.
Outros grupos de esquerda, no
entanto, já anunciaram que não irão respeitar a decisão da juíza, alegando que
ela fere o direito de ir e vir e de livre manifestação. “A medida [decisão
judicial] é uma forma de criminalização dos movimentos sociais, porque busca
impedir a vinda pacífica e democrática de milhares de pessoas que buscam
debater os rumos da democracia (…), os atuais ataques contra os direitos
sociais pelo governo Temer, assim como o papel hoje político cumprido pelo
Judiciário”, afirmou a Frente Brasil Popular em
nota publicada nas redes sociais, confirmando a realização das comitivas até
Curitiba.
Nesta terça-feira, a prefeitura
mudou o local em que protestarão os grupos de esquerda que apoiam Lula – antes
na região conhecida como Boca Maldita, a concentração agora foi para a praça
Santos Andrade, ao lado da Universidade Federal do Paraná, também na região
central. Os manifestantes que apoiam a Lava Jato e pedem a condenação de Lula
ficarão no Centro Cívio – os dois locais são palcos tradicionais de
manifestações.
Bloqueio: Na sentença, em que também
determina um bloqueio para impedir que esses grupos se aproximem do local do
depoimento, a juíza afirma que as preocupações da prefeitura “denotam o justo
receio de que a posse dos bens localizados no entorno da sede da Justiça
Federal seja molestada devido ao grande número de pessoas esperadas na data
designada para a audiência, fato amplamente divulgado pela mídia nacional”.
A juíza estabeleceu multa de
50 mil reais em caso de montagem de acampamentos e de 50 ou 100 mil reais
em caso de passagem de carros e pedestres por áreas próximas à Justiça Federal,
de acordo com a proximidade. Procurada por VEJA, a Prefeitura de Curitiba
informou que “o interdito visa garantir que não haverá práticas que coloquem em
risco a segurança e a mobilidade da população, bem como a invasão de áreas
protegidas pelas forças policiais, assegurando o funcionamento do Poder
Judiciário e, ainda, a integridade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. (Via: Veja - Colaboração Vagner Rosário)
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