Um casal suspeito de liderar um grupo especializado que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão a partir da criação de empresas de fachada do setor de carnes e fraudes fiscais em Pernambuco, foi preso durante operação deflagrada na quinta-feira (12). Doze mandados de busca e apreensão também foram cumpridos.
O esquema criminoso começou a ser apurado em 2022, durante operações de rotina após autoridades desconfiarem do alto número de notas fiscais emitidas pelas empresas.
"Na investigação, identificamos sócios-laranjas. A gente descobriu, por exemplo, um sócio que recebe Bolsa Família. Logo descobrimos que vários estabelecimentos não condiziam com a capacidade operacional, com o volume de mercadorias que eles negociavam. Alguns não tinham nem câmera fria e funcionavam em pequenas salas comerciais. A movimentação dessas notas chegou a R$ 1 bilhão", contou o diretor de Operações Estratégicas da Secretaria Estadual da Fazenda, Emery Lopes.
Em 2024, com a confirmação de que o grupo praticava fraude fiscal estruturada, uma operação foi realizada para inibir os crimes e ampliar a investigação conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (CIRA/PE).
A força-tarefa é formada por integrantes do Ministério Público, Secretaria de Defesa Social, Procuradoria Geral do Estado e Secretaria da Fazenda.
Pelo menos 45 empresas ligadas ao grupo foram identificadas, resultando em 143 autos de infração. O prejuízo gerado aos cofres do Estado supera R$ 145 milhões, segundo as investigações.
"Eles [grupo] operavam há aproximadamente dez anos. Eles constituíam empresas de fachada, algumas dessas empresas até existiam de fato, mas não tinham capacidade de transacionar o volume de notas fiscais que recebiam. A maioria delas utilizava o mesmo endereço, ou seja, elas se sobrepunham no mesmo endereço com o intuito de gerar notas fiscais", afirmou o promotor Carlos Eugênio do Rêgo Barros, integrante do CIRA/PE.
Segundo ele, pessoas de baixa renda e instrução - alguns deles ex-funcionários do grupo investigado - eram usados como testas de ferro nas empresas de fachada. "Tinha até açougueiros", revelou Barros.
OPERAÇÃO REENCARNAÇÃO
Os nomes dos investigados, idades e profissões não foram revelados oficialmente. Circula a informação de que uma policial civil foi presa na operação Reencarnação.
O grupo, formado por pelo menos nove pessoas, é investigado pela prática de crimes contra ordem tributária, lavagem de capitais e falsidade ideológica.
A operação ocorreu sobretudo em endereços residenciais, nos municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens avaliado em mais de R$ 120 milhões dos investigados.
O nome da operação faz referência ao fato de algumas das empresas de fachada encerradas em 2024 terem sido recriadas com mesmo modus operandi para manter as fraudes. (Via: Jc)
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