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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Delação aponta reunião secreta de ex-deputado com traficantes em presídio e negociações sobre crimes na Bahia

Nomeação e influência política no sistema prisional, negociação de propina milionária, agentes corruptos e relação com facções criminosas. Esses foram apenas alguns tópicos revelados pela ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no Sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, acusada de facilitar a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024.

BNews obteve acesso à delação premiada da ex-diretora da unidade ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). No documento, a policial revelou, em detalhes, como o plano foi articulado pelo ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB), que teria indicado ela para o cargo no presídio, em março de 2024, quando a cooptou para facilitar a fuga em massa.

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Vídeo:


O caso desencadeou a instauração da Operação Duas Rosas, do MP-BA, que já resultou nas prisões do próprio Uldurico, na última quinta-feira (16), além de quatro integrantes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) — facção criminosa baiana ligada ao Comando Vermelho (CV) —, que estavam escondidos no Rio de Janeiro.

Reuniões em presídio a portas fechadas

Joneuma Silva Neres afirmou ao MP-BA que, ao ser indicada ao cargo de diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, "recebeu como uma forma de promoção". Antes, ela conta que possuía um cargo administrativo na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, também no Sul Baiano, e presenciou diversas vezes Uldurico frequentando o presídio para conversar com os internos.

Na delação, a policial revela que as reuniões entre o ex-parlamentar com detentos eram ditas como algo "normal" mesmo ocorrendo a "portas fechadas". De acordo com Joneuma, no dia seguinte em que assumiu o novo cargo, Uldurico compareceu ao presídio e a pressionou para conversar com os líderes de todas as facções, assim como fazia no presídio de Teixeira de Freitas.

Assim como fazia na Unidade Prisional de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior solicitou para conversar com os líderes de todas as facções. Elton Deolino Rocha (na época, Diretor Adjunto do Conjunto Penal de Eunápolis) e Jean (na época, coordenador do CRC) saíram da Unidade", dizia um trecho da delação.

Ainda de acordo com o depoimento, uma semana depois, Uldurico teria retornado à unidade prisional, para conversar com os mesmos internos — que eram os representantes de cada ala. Seriam eles: Ednaldo, Sirlon, Luquinhas, Juan Pablo, Cascão.

Após a reunião, o ex-deputado federal, solicitou algumas regalias aos internos, como: farofa, comida e freezer. Àquela altura, a fuga estava combinada para o dia 31 de dezembro de 2024. Joneuma, inclusive, teria requerido férias a partir do Natal, para que não estivesse presente no presídio quando a fuga ocorresse. 

Porém, os planos não saíram como planejado. Acontece que o detento Ednaldo — um dos líderes do presídio — foi informado por um policial de que haveria fiscalização no presídio e de que seria transferido. Diante disso, o criminoso resolveu "adiantar os planos".

A colaboradora afirmou inclusive que, no ano de 2024, encontrou em um buraco na cela de Ednaldo uma arma de fogo e munição (houve PAD na época), e o próprio Ednaldo havia afirmado ter comprado aquela arma de um policial penal por R$ 100 mil.

O que dizem os citados

Em comunicado à imprensa, a defesa de Uldurico Júnior informou que todas as alegações da delação são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade.

Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado. Tanto a defesa quanto o acusado estão colaborando com a Justiça para que a verdade prevaleça", afirmou.

A defesa de Joneuma não se manifestou sobre a delação.