Três coronéis da Polícia Militar de São Paulo foram citados em relatórios do Ministério Público do Estado que embasaram a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21).
A ação mira um núcleo suspeito de movimentar valores ilícitos em favor do PCC (Primeiro Comando da Capital) e de participar dos chamados tribunais do crime. A decisão judicial autorizou 18 prisões e operações de busca e apreensão. As informações foram obtidas pela Folha de São Paulo.
A defesa de Coutinho declarou que não teve acesso à investigação e afirmou: “Sem prejuízo da análise dos elementos da investigação, a defesa reafirma a integridade e a correção com que o coronel Coutinho sempre exerceu suas funções”. Disse ainda estar certa de que, no curso do procedimento, será demonstrada a inexistência de qualquer envolvimento de sua parte.
A reportagem não identificou quem representa a defesa de Pereira Martins.
Coutinho foi mencionado em conversas envolvendo o operador financeiro Amjad Ahmad, apontado como responsável por serviços de “troca de TED por dinheiro vivo” e com conexões com integrantes do PCC. Até a operação desta terça, não havia outros elementos além dessas menções.
Já o coronel Patrício aparece em uma planilha como cliente de um dos operadores. Em operação anterior, uma anotação indicando pagamento de R$ 1 mil em favor dele foi encontrada na casa de um investigado.
O coronel Pereira Martins, por sua vez, participava de um grupo de WhatsApp com suspeitos de lavagem de dinheiro. “Destaca-se a participação de ambos em grupo de WhatsApp denominado ‘Aniversário general’, ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, no qual eram enviadas mensagens de caráter pessoal e social, inclusive relacionadas a eventos e celebrações, evidenciando relação de proximidade para além de contatos meramente ocasionais”, diz a decisão.
Os suspeitos atuavam na conversão de transferências eletrônicas em valores em espécie e vice-versa. O esquema era descrito pelos próprios envolvidos como “troca de TED por vivo”.
Quem tinha dinheiro em espécie proveniente do tráfico entregava as cédulas ao grupo e recebia uma transferência bancária com aparência lícita, sustentada por justificativas econômicas. O processo ocorria por meio de empresas de fachada.
Na época, a Promotoria não mencionava relação direta entre o oficial e a organização criminosa. A apuração mirava subordinados de Coutinho na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), entre 2020 e 2021.
