Bandidos têm recorrido à harmonização facial para tentar despistar a polícia e escapar da identificação, mas a estratégia não tem sido suficiente para evitar prisões, tentando burlar tecnologias de reconhecimento e técnicas de investigação.
Procedimento na surdina para fugir da polícia
Se antes os criminosos eram conhecidos por apelidos, agora alguns tentam mudar o próprio rosto. A prática tem sido usada como uma forma de dificultar o trabalho das autoridades, com procedimentos feitos de forma discreta para não levantar suspeitas no Rio de Janeiro. As informações são do jornal O Dia.
Um dos exemplos é Walace de Brito Trindade, conhecido como “Lacoste”, apontado como líder do tráfico no Morro da Serrinha, no Rio de Janeiro. Procurado há 10 anos, ele muda tanto a aparência que chega a dificultar até a própria identificação por investigadores.
Polícia usa tecnologia para driblar mudanças
Segundo o major Maicon Pereira, da Polícia Militar do Rio, a harmonização pode até dificultar o reconhecimento inicial, mas não impede a identificação. “Os bandidos fazem harmonização às escondidas. Eles não querem que ninguém saiba. Ainda assim, com o trabalho de investigação, é possível prender”, afirmou.
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Ele explica que existem outras formas de identificar suspeitos, como a papiloscopia e sistemas de reconhecimento facial. As ferramentas analisam a simetria do rosto e cruzam dados com bancos de imagens, permitindo identificar uma pessoa mesmo após mudanças estéticas.
Além disso, policiais têm acesso a esses sistemas por meio de aplicativos em smartphones e viaturas com tecnologia embarcada, que também fazem leitura de placas de veículos.
Casos mostram que estratégia não funciona
Na prática, a tentativa de despistar a polícia com mudanças no rosto não tem garantido sucesso. Diversos criminosos foram presos mesmo após recorrer a procedimentos estéticos.
Entre eles estão Luís Carlos de Lomba, o “Chocolate”, preso em 2025 ao tentar mudar a aparência, e André Costa Barros, o “André Boto”, capturado após ter a nova imagem mapeada pela polícia.
Outro caso é o de Lindomar Reges Furtado, que fez preenchimentos faciais, lentes dentárias e transplante capilar, mas acabou localizado. Já Lenon Oliveira do Carmo chegou a assumir uma nova identidade após cirurgias plásticas, mas também foi preso.
Investigação cruza dados e monitora clínicas
Para chegar aos suspeitos, a polícia utiliza diferentes estratégias. Entre elas estão o monitoramento de pagamentos em clínicas de estética feitos em dinheiro, o uso de inteligência biométrica para analisar pontos fixos do rosto e o cruzamento de dados com fotos de familiares em redes sociais.
Esses métodos ajudam a identificar criminosos mesmo quando tentam mudar a aparência para fugir da Justiça.
Especialistas explicam limites da harmonização
Apesar de provocar mudanças visuais, a harmonização facial não altera completamente a identidade de uma pessoa. A biomédica Aline Grave explica que o procedimento busca equilíbrio e naturalidade, sem modificar a estrutura óssea.
“A verdadeira harmonização não cria um novo rosto; ela revela a melhor versão daquele que já existe”, afirmou.
Mudança no rosto pode virar crime
Do ponto de vista legal, alterar a aparência para dificultar a identificação pode trazer consequências. Segundo o advogado Breno Hoyos, a prática pode se enquadrar como fraude processual, além de outros crimes, como falsa identidade e falsificação de documentos, dependendo do caso.
Ele destaca que o problema não é fugir, mas usar artifícios para enganar a investigação. Nesse caso, a conduta pode ser tratada como “fraude ativa contra a administração da Justiça”.