O ex-secretário de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife, João Guilherme de Godoy Ferraz, um dos principais operadores do PSB em Pernambuco, está foragido da Justiça. Ele teve mandado de prisão expedido essa semana pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que nosso Portal revelou ontem em primeira mão. Ele não foi encontrado em sua residência, nem em seu escritório e, até agora, não se apresentou às autoridades policiais.
Informações dão conta que ele teria contratado o advogado Ademar Rigueira para entrar com um Habeas Corpus (HC) para evitar sua prisão. Ex-presidente da OAB-PE, Ademar é muito ligado ao PSB e ao ex-prefeito Geraldo Júlio.
João Guilherme de Godoy Ferraz vinha sendo um dos principais investigados na Operação Check-in, da Polícia Federal (PF). A suspeita é que ele tenha recebido propina de uma empresa de terceirização – a Pernambuco Conservadora – contratada pela Prefeitura do Recife no ano de 2020, quando Ferraz era secretário municipal de Geraldo Júlio.
A investigação foi realizada a partir de achados da Operação Firenze, ocorrida há um ano, em torno de um grupo de três empresas terceirizadas. Na operação, canhotos de cheques identificaram suposta propina para o ex-secretário da Prefeitura do Recife.
O cartel investigado seria liderado pela Solserv Terceirização e também incluía Pernambuco Conservadora, RC Serviços & Conservação e MA7 Securitizadora. Somente a Pernambuco Conservadora, recebeu R$ 25,7 milhões da Prefeitura do Recife em 2020, sendo R$ 17 milhões pagos com recursos do SUS, daí a atuação da Polícia Federal. Do montante, R$ 2 milhões foram pagos por contrato entre a empresa e a secretaria chefiada por Godoy Ferraz. Na gestão João Campos, a empresa já faturou mais de R$ 125 milhões.
João Guilherme Ferraz foi um dos principais articuladores políticos da gestão do PSB no Recife e atuava como principal auxiliar da gestão Geraldo Júlio. Na transição para o governo João Campos, saiu da administração direta, mas manteve grande influência na gestão e nos corredores do Tribunal de Contas do Estado.
O ex-secretário também é um dos investigados da Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público de Pernambuco, em torno de um esquema de empreiteiras. De acordo com informações daquele inquérito, João Guilherme Ferraz teria atuado para contratar as empreiteiras de um dos seus melhores amigos, o empresário Gustavo Muniz, para realizar manutenção predial em praticamente todos os equipamentos públicos da Prefeitura, de escolas a postos de saúde, incluindo o prédio-sede da administração. Mais de R$ 200 milhões foram movimentados em três anos.
O inquérito está trancado por decisão monocrática do Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do advogado do diretório nacional do PSB. O caso nem foi sorteado, mas foi impetrado direto no gabinete do ministro. (Via: Blog Ricardo Antunes) - Matéria relacionada, clique aqui:
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