O Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) expediu mandado de prisão contra o ex-secretário de Governo e Participação Social da Prefeitura do Recife, João Guilherme de Godoy Ferraz. Trata-se de um dos principais operadores do PSB no Estado, durante a gestão de Geraldo Julio, antecessor de João Campos no Executivo municipal.
O mandado de prisão foi expedido pela 13ª Vara Federal do Recife e deferido pelo magistrado César Arthur Cavalcanti de Carvalho. João Guilherme de Godoy Ferraz vinha sendo um dos principais investigados da Operação Check-in, da Polícia Federal (PF). A suspeita é de que ele tenha recebido propina de uma empresa de terceirização — a Pernambuco Conservadora — contratada pela Prefeitura do Recife em 2020, quando Ferraz era secretário municipal de Geraldo Julio.
A investigação foi realizada a partir de achados da Operação Firenze, ocorrida há um ano, em torno de um grupo de três empresas terceirizadas. Na operação, canhotos de cheques identificaram supostos pagamentos de propina ao ex-secretário da Prefeitura do Recife.
O cartel investigado seria liderado pela Solserv Terceirização e também incluiria a Pernambuco Conservadora, a RC Serviços & Conservação e a MA7 Securitizadora. Somente a Pernambuco Conservadora recebeu R$ 25,7 milhões da Prefeitura do Recife em 2020, sendo R$ 17 milhões pagos com recursos do SUS, daí a atuação da Polícia Federal.
Do montante, R$ 2 milhões foram pagos por meio de contrato entre a empresa e a secretaria chefiada por Godoy Ferraz. Na gestão de João Campos, a empresa já faturou mais de R$ 125 milhões.
Ele também foi investigado na operação Apneia, da PF, que apurou irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia.
João Guilherme Ferraz foi um dos principais articuladores políticos da gestão do PSB no Recife e atuava como um dos principais auxiliares de Geraldo Julio. A ligação com João Campos também é anterior à atual gestão. Ferraz integrou a estrutura da Prefeitura do Recife durante os dois mandatos de Geraldo Julio, primeiro como chefe do Gabinete de Projetos Especiais, entre 2013 e janeiro de 2019, e depois como secretário de Governo e Participação Social, de janeiro de 2019 até o fim da gestão, em 2020. Na transição para o governo de João Campos, deixou a administração direta, mas, segundo informações apuradas, manteve influência e interlocução nos bastidores da gestão municipal.
O ex-secretário também é um dos investigados da Operação Barriga de Aluguel, do Ministério Público de Pernambuco, que apura um suposto esquema envolvendo empreiteiras. De acordo com informações daquele inquérito, João Guilherme Ferraz teria atuado para contratar empreiteiras de um de seus melhores amigos, o empresário Gustavo Muniz, para realizar manutenção predial em praticamente todos os equipamentos públicos da Prefeitura, de escolas a postos de saúde, incluindo o prédio-sede da administração.
Mais de R$ 200 milhões teriam sido movimentados em três anos. O inquérito está trancado por decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do advogado do diretório nacional do PSB. O caso nem chegou a ser sorteado, mas foi impetrado diretamente no gabinete do ministro.
O OUTRO LADO
Nós tentamos ouvir o advogado, mas seu telefone está fora de área. O espaço segue aberto para manifestações, e esta matéria poderá ser atualizada. (Via: Blog Ricardo Antunes)
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