“Vou morrer, mas meus personagens
vão viver para sempre.” Foi assim que o Ariano Suassuna se despediu do mundo
real, na sua última aparição pública, em dia 18 de julho de 2014, em
aula-espetáculo em Garanhuns. Há exato um ano, o escritor e dramaturgo, um paraibano
de Pernambuco, encantou-se.
Como garantiu,
Ariano permanece vivo, através de suas obras, personagens e inúmeras histórias
sobre o Brasil. Nos seus últimos anos, ele se dividia entre as aulas e as
gravações de um projeto para a TV Sesc, Ariano Conta o Nordeste, no qual
percorria estados que tão bem conhecia para recontar, através lugares-símblos,
a história do povo brasileiro. Questões burocráticas e orçamentárias
dificultaram a continuidade do projeto, que chegou a ser gravado em Pernambuco,
Alagoas, Bahia, Ceará e Sergipe.
Todo o material
gravado está inédito. Parte dele, com imagens e falas de Ariano registradas em
Pernambuco, vai virar o longa-metragem O Sertão de Ariano. Quem adianta a
novidade é o diretor Walter Carvalho, que espera a liberação das imagens para
poder marcar o lançamento do filme. Gravado entre 2010 e 2011, o escritor
visita lugares emblemáticos de Pernambuco, todos caros a Ariano.
“Fizemos um roteiro,
eu e Ariano, a partir das ideias dele. Fizemos uma viagem, juntos, desde a Pedra
do Reino, em São José do Belmonte, até o Litoral, passando pela Igreja de
Igarassu (a pinacoteca do Convento de São Antônio, lugar que o escritor
adorava). Pontos estratégicos da cultura pernambucana”, lembra Walter, que
dirigiu a fotografia da minissérie A Pedra do Reino (2007), de Luiz Fernando
Carvalho a partir do romance suassuniano.
“Levei Ariano, em 2011, ao Sitio
Arqueológico Alcobaça, em Buíque. Ele não conhecia pessoalmente e quem me
indicou foi seu filho (Manoel) Dantas Suassuna, meu amigo”, conta Walter.
“Chegamos a pé na Serra Alcobaça, numa longa caminhada. Ariano ficou
desenhando, copiando os motivos rupestres dessa serra”, lembra o diretor, cuja
ideia era seguir com Ariano Suassuna para a Paraíba, onde as filmagens
começariam na Pedra do Ingá.
O objetivo do
diretor é o de que o filme saia, enfim, da gaveta – decisão que depende do
Sesc. “Conversei com Dantas Suassuna, ele ia tentar recuperar esse filme de
alguma forma. A ideia é fazer um acordo com o Sesc”, conta.
Ariano chegou a
assistir a imagens já editadas, antes de morrer. Segundo Walter, ficou
emocionado com o resultado. “Ele me ligou, depois, chorando de emoção. Ariano
ficou muito feliz com esse trabalho. Era uma coisa que eu gostaria muito de
recuperar.”
CELEBRAÇÃO: Domingo (26), às 8h,
haverá uma missa na Ilumiara Pedra do Reino, em São José do Belmonte, Sertão de
Pernambuco, em memória de Ariano. O local da celebração foi escolhido pela
família do escritor; seu filho, o artista plástico Manuel Dantas Suassuna,
confirmou que participará da missa. Também estarão presentes a cantora Isaar
França, violeiros, cantadores, coral e banda de pífanos. A Associação Cultural
Perdra do Reino organiza a homenagem. (Texto JC, vídeo youtube)
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