Por Josias de Souza
O governo tornou-se uma espécie
de Centro de Terapia Intensiva. Sob Michel Temer, ministros e assessores não
são demitidos. Eles ficam politicamente enfermos, sangram no noticiário e
recebem alta para se tratar longe dos corredores do poder. Seis ministros já
deixaram o CTI do governo Temer. Nesta quarta-feira, teve alta José Yunes,
assessor especial do presidente da República.
Amigo de Temer há cinco décadas, Yunes deixa Brasília depois
de ter sido abalroado pela delação do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo
Filho. Segundo o delator, parte dos R$ 10 milhões que Temer solicitou em 2014 a
Marcelo Odebrecht foi entregue em dinheiro vivo a Yunes.
“Vi meu nome jogado no lamaçal de uma abjeta delação, feita
por uma pessoa que não conheço, com quem nunca travei o mínimo relacionamento”,
anotou Yunes em carta dirigida a Temer. A carta vem à luz junto com a notícia
de que o também delator Marcelo Odebrecht confirmou a versão que Yunes nega.
Temer poderia ter dado alta a Yunes há mais tempo. O risco de
contágio ficou evidente há 17 dias, quando o juiz Sergio Moro vetou parte das
perguntas que o preso Eduardo Cunha endereçara a Temer, arrolado por ele como
testemunha de defesa.
Numa das questões vetadas pelo juiz da Lava Jato, Cunha
perguntava se Yunes intermediara o recebimento de dinheiro para campanha de
Temer ou para as arcas do PMDB. Se recebeu, foi “de forma oficial ou não
declarada?''. A delação de Claudio Melo Filho mostrou que havia incêndio atrás
da fumaça levantada por Cunha.
Moro rejeitara a pergunta de Cunha porque só o Supremo
Tribunal Federal tem poderes para tratar de suspeitas relacionadas a Temer.
“Não tem ainda este juízo competência para a realização, direta ou
indiretamente, de investigações em relação ao Exmo. Sr. Presidente da
República”, anotou o juiz da Lava Jato em seu despacho.
Além de Yunes, as delações da Odebrecht empurraram para
dentro do Centro de Terapia Intensiva do governo o ministro Eliseu Padilha
(Casa Civil) e o secretário-executivo Moreira Franco (Programa de Parcerias de
Investimentos). São duas novas altas esperando para acontecer. Ao retardar o
desfecho, Temer potencializa a impressão de que é a sua Presidência que se
encontra gravemente enferma.
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