Preso preventivamente sob suspeita de abusar sexualmente as pacientes, o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, de 50 anos, é investigado por estupro de vulnerável após denúncias de 23 mulheres em Goiânia e Senador Canedo, em Goiás.
Um dos pontos que chamou a atenção da Polícia Civil durante a investigação foi uma mensagem enviada pelo médico a uma paciente após uma consulta, questionando se “houve algum mal-entendido”.
Segundo a delegada Amanda Menuci, responsável pelo caso, a vítima vivia uma gravidez de risco e passou a gravar os atendimentos após desconfiar da conduta do profissional. Para a apuração do órgão, o contato feito pelo médico após a consulta reforça os indícios apontados pelas denunciantes.
Ela (a vítima) disse que depois de ter manuseado as partes íntimas dela, tocado libidinosamente, tecendo todo tipo de comentário pejorativo, mandou mensagem para ela: 'Oi, você está bem? Só gostaria de saber se não ficou nenhum mal-entendido'. Ora, se tivesse algum lastro do que ele fez, ele não precisaria enviar esse tipo de mensagem", afirmou Amanda.

De acordo com a polícia, o médico teria desenvolvido um padrão de comportamento para se aproximar das pacientes e cometer abusos em momentos de vulnerabilidade. As denúncias envolvem relatos que vão de 2017 a 2026 e apontam condutas semelhantes durante consultas ginecológicas.
Segundo as investigações, o suspeito utilizava o ambiente clínico para ganhar a confiança das mulheres, muitas vezes em situações delicadas, como primeiras consultas, procedimentos cirúrgicos ou acompanhamento gestacional. As vítimas têm entre 18 e 45 anos.
Os relatos reunidos pela polícia mencionam toques indevidos, comentários de cunho sexual e condutas consideradas incompatíveis com a prática médica. A delegada afirmou que o modo de agir se repetia entre os casos investigados, o que levou a polícia a tratar o médico como um suposto “predador sexual”.
"Ele agia da mesma forma, ganhando a confiança da vítima, tecendo elogios, tocando libidinosamente as partes íntimas delas, quando era exame de toque, tocava os seios juntamente, quando tinha que fazer o exame endovaginal de ultrassom, ficava masturbando a vítima, fazendo movimentos circulares e sempre fazendo muitos comentários que desbordam da prática médica", detalhou a delegada.
Uma das mulheres ouvidas relatou ter ficado paralisada durante a consulta ao perceber a mudança de comportamento do médico. O depoimento integra o conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil.
A gente fica completamente imóvel, não tive coragem, acho que, por alguns minutos, eu morri ali na cadeira", disse a vítima em entrevista à TV Anhanguera.
Após a divulgação da identidade e da imagem do suspeito, no último dia 17 de abril, novas vítimas procuraram as autoridades. O caso é investigado como estupro de vulnerável, entendimento adotado, segundo a polícia, pela condição de vulnerabilidade das pacientes durante os atendimentos.
Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram
