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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Justiça decreta prisão de médico acusado por morte de paciente após 'harmonização de bumbum' em PE

A Justiça decretou a prisão preventiva do médico acusado pela morte da comerciante Adriana Barros Lima Laurentino, de 46 anos, que ocorreu após procedimento de "harmonização do bumbum", feito com a utilização de polimetilmetacrilato, conhecido popularmente como PMMA, no Recife.

Marcelo Alves Vasconcelos, que está foragido, responde pelo crime de homicídio qualificado (motivo torpe/ganância). A ordem de prisão foi assinada pela juíza Danielle Christine Melo, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, na semana passada.

Na decisão, a magistrada destacou que a prisão é necessária para "garantia da ordem pública e da saúde pública, a fim de cessar a reiteração delitiva", já que o médico continuou realizando procedimentos de PMMA.

Adriana foi encontrada morta em casa cerca de 24 horas após passar pelo procedimento estético com aplicação de 360 ml da substância, numa clínica localizada no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, em 11 de janeiro de 2025.

O laudo tanatoscópico indicou que paciente morreu de embolia pulmonar - condição grave que já atingiu outras vítimas que receberam injeção glútea do PMMA.

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Conforme revelado pelo Jornal do Commercio, a investigação da Polícia Civil apontou que o médico não realizou exames prévios na paciente, que possuía uma infecção. Na avaliação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Marcelo assumiu o risco ao realizar o procedimento, visto que tinha conhecimento da possibilidade de intercorrências provocadas pelo uso do PMMA.

A investigação identificou que Adriana visualizou a postagem no Instagram da empresa "Bodyplastia - Harmonização Corporal", com mais de 130 mil seguidores, em 26 de dezembro de 2024. Na ocasião, entrou em contato por meio de um link fornecido na página e demonstrou interesse na consulta com o médico, pagando R$ 500 antecipadamente. O investimento teria sido de R$ 21 mil.

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) indicou que o médico também não tinha registro, ou seja, não poderia exercer a atividade legalmente no Estado.

DEFESA DO MÉDICO VAI RECORRER DA DECISÃO

Em nota, o advogado Lymark Kamaroff, responsável pela defesa do médico, declarou que vai contestar a decisão judicial "pelos caminhos previstos em lei, usando os recursos e pedidos que o processo permite, no tempo certo".

O advogado afirmou que a paciente "não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para o procedimento e que todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer empecilho ou contraindicação para o procedimento, bem como todas as etapas necessárias foram cuidadosamente planejadas e executadas, seguindo os mais rigorosos padrões de segurança e qualidade".

Disse que Marcelo "não vai comentar detalhes pela imprensa", mas que "ele confia que as autoridades vão esclarecer os fatos da forma correta".

"Reafirmamos nosso compromisso de provar, dentro do processo, que o médico Marcelo Vasconcelos sempre trabalhou pautado pela técnica, pela ética e pelo cumprimento das regras da profissão", finalizou.

DEFESA DA FAMÍLIA DA VÍTIMA

O advogado Felipe Alef, que representa a família de Adriana, comentou a decisão judicial.

"A prisão do médico Marcelo Alves Vasconcelos é de extrema importância, não apenas para resguardar possíveis futuras vítimas atendidas pelo médico, mas também para representar um passo concreto na busca por justiça à família de Adriana Barros Lima Laurentino e a toda a sociedade, que ainda se encontra profundamente comovida com os fatos ocorridos", afirmou.

"A defesa, mais do que ninguém, reconhece essa prisão como uma medida necessária e benéfica a todos, sobretudo por seu caráter preventivo, e seguirá atuando de forma firme e incansável para que haja a devida responsabilização e condenação por todos os crimes praticados contra a vítima", completou.

AUDIÊNCIA MARCADA PARA SETEMBRO

Além da decretação da prisão preventiva, a magistrada marcou para o dia 22 de setembro a audiência de instrução e julgamento, quando serão ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Na ocasião, se houver tempo, também haverá o interrogatório do réu.

Somente ao final desta etapa do processo, a juíza vai decidir se o médico irá a júri popular.