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terça-feira, 28 de abril de 2026

Bahia lidera acidentes no Nordeste e entra no topo do ranking nacional; País bate recorde de mortes no trabalho

O Brasil voltou a bater um recorde negativo em 2025: foram 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes ao longo do ano, o maior volume já registrado no país. No cenário, a Bahia é líder em ocorrências no Nordeste e aparece entre os estados com mais registros no país.

Os números fazem parte de um levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, com base em registros oficiais do INSS e do eSocial, e publicados pelo g1.

É um salto que chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo ritmo. Desde 2020, quando a pandemia freou a economia e reduziu notificações, os acidentes cresceram 65,8%, enquanto as mortes avançaram 60,8% no país. Ou seja: não é um pico isolado, é uma curva consistente de alta.

Ao olhar uma década inteira, o cenário pesa ainda mais. Entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes. No meio disso, um impacto difícil de dimensionar: mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos e outros 249 milhões de dias debitados, indicador que tenta medir o efeito permanente de lesões graves e óbitos na vida de quem trabalha.

Bahia lidera no Nordeste e entra no grupo de alerta
Dentro desse retrato nacional, a Bahia aparece com números que a colocam em posição de preocupação. O estado soma 180.598 acidentes de trabalho no período de 2016 a 2025. É o 8º maior volume do país e o primeiro do Nordeste, à frente de Pernambuco. Em termos proporcionais, o total baiano equivale a cerca de 8,1% do que foi registrado em São Paulo, que lidera com folga e mais de 2,2 milhões de ocorrências.

A diferença para quem está logo acima no ranking é mínima: Goiás registrou 182.385 acidentes, pouco mais de 1,7 mil a mais que a Bahia, praticamente empate técnico.

Quando o recorte é morte, o padrão se repete. A Bahia contabiliza 1.227 óbitos no período, também na 8ª posição nacional e novamente liderando no Nordeste. Pernambuco aparece logo atrás, com 1.100 mortes. Goiás, mais uma vez, está próximo: 1.257 registros, apenas 30 a mais.

Nos mapas do estudo, o estado aparece em tonalidade de vermelho escuro. Não chega ao nível crítico de polos industriais do Sudeste, mas está longe das áreas com menor incidência. Em outras palavras: não é exceção — faz parte do grupo onde o problema já é estrutural.

Cresce o emprego, mas o risco não acompanha
Um dado ajuda a entender o paradoxo. A taxa de incidência — que leva em conta o número de acidentes em relação ao total de trabalhadores formais — até caiu ao longo da década. Ainda assim, o número absoluto de ocorrências disparou.

Na prática, o país formalizou mais trabalhadores, mas não conseguiu acompanhar esse crescimento com melhorias equivalentes em segurança.

E há um detalhe importante: o levantamento considera apenas vínculos formais. Ou seja, deixa de fora uma parcela significativa do mercado de trabalho brasileiro, onde a subnotificação tende a ser maior.

Onde estão os maiores riscos
O estudo desmonta a ideia de que o risco é uniforme. Ele muda conforme a atividade, e, principalmente, conforme a função.

Na área da saúde, por exemplo, está o maior volume de acidentes. Só o atendimento hospitalar ultrapassa 500 mil registros na década. Técnicos de enfermagem lideram com 372.092 ocorrências, mas com 182 mortes, muitos casos, porém de menor gravidade imediata.

Do outro lado está o transporte rodoviário de carga. O setor acumula 2.601 mortes entre 2016 e 2025, com uma letalidade muito acima da média. Quando se olha para a ocupação, o dado é ainda mais duro: motoristas de caminhão somam 4.249 mortes no período. Dá mais de uma por dia.

É o contraste mais evidente do levantamento: quem mais se acidenta não é quem mais morre, e, quem morre, muitas vezes, nem aparece no topo do volume de acidentes.

A construção civil também aparece entre os ambientes mais perigosos. Em atividades como montagem industrial, a taxa chega a 80 mil acidentes por 100 mil trabalhadores, um nível de exposição considerado extremo.

Serviços também entram na conta
Não é só indústria pesada ou estrada. O setor de serviços aparece com números relevantes. Faxineiros acumulam 217.997 acidentes e 419 mortes. Vendedores, 402 óbitos.

Na indústria, alimentadores de linha de produção somam 317.800 acidentes e 778 mortes. Já os serventes de obras registram 741 mortes, mesmo com volume menor de ocorrências, outro exemplo de alta letalidade.

O perfil está mudando
Os acidentes típicos, aqueles que acontecem durante o trabalho, ainda dominam, com cerca de 65% dos registros. Mas os de trajeto vêm ganhando espaço ano após ano. O deslocamento virou parte do risco.

Outro movimento é o avanço da participação feminina. Hoje, mulheres respondem por 34,2% dos acidentes, com crescimento de 48% na década. A alta está concentrada, sobretudo, em saúde, serviços e administração pública.

Já as doenças ocupacionais tiveram um pico fora da curva em 2020, puxadas pela Covid-19, especialmente entre profissionais de saúde.

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