Enquanto era utilizado pela governadora, aeronave deixou de atender pedidos de salvamento de pacientes e de transporte de órgãos para transplante
Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo revelou que a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, utilizou para compromissos oficiais e agendas políticas uma aeronave adquirida pelo Governo do Estado com a justificativa de ampliar o atendimento aeromédico à população.
Segundo a reportagem, o avião modelo King Air 260, de matrícula PS-GEP, foi comprado por R$ 64,3 milhões em julho de 2025 com recursos da Secretaria de Defesa Social e entregue ao Estado em dezembro do mesmo ano. Na ocasião, o próprio Governo de Pernambuco divulgou que a aeronave reforçaria a estrutura de transporte de pacientes e ampliaria a capacidade de atendimento aeromédico no estado.
Entretanto, de acordo com a Folha, ainda no mês da entrega o kit médico instalado na aeronave foi temporariamente removido para que o avião transportasse a governadora a Brasília, onde ela participou de reuniões políticas, incluindo encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
A revelação reforça questionamentos que já vinham sendo feitos desde o fim de 2025 sobre a mudança de finalidade da aeronave. Na época, documentos internos da Secretaria de Defesa Social apontaram a retirada dos equipamentos médicos para adequar o avião ao transporte da governadora. Antes disso, a aeronave era apresentada como um importante reforço para remoções de pacientes, especialmente em missões envolvendo Fernando de Noronha e outras operações de saúde e salvamento.
Procurado pela reportagem, o Governo de Pernambuco afirmou que as aeronaves do Estado são utilizadas exclusivamente em missões institucionais de interesse público, seguindo critérios técnicos e legais, e sustentou que não houve prejuízo às atividades de saúde. A gestão também declarou que os deslocamentos da governadora ocorrem, majoritariamente, em voos comerciais.
A divulgação do caso pela Folha adiciona um novo elemento ao debate sobre prioridades administrativas em Pernambuco. A principal controvérsia está no fato de que um equipamento apresentado à população como instrumento para salvar vidas e ampliar o atendimento médico acabou sendo utilizado para deslocamentos políticos da chefe do Executivo estadual, levantando questionamentos sobre a destinação e o uso de um investimento público de mais de R$ 64 milhões.
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