A Refinaria Abreu e Lima (Rnest)
e o Terminal Aquaviário da Transpetro, no Complexo de Suape, terão suas
operações reduzidas com a greve dos petroleiros em Pernambuco. Com 800
trabalhadores no Estado, a categoria vai acompanhar a paralisação nacional comandada
pela Federação Única dos Petroleiros (FUP). O movimento é um protesto contra o
novo Plano de Negócios da Petrobras, que prevê redução de aportes e venda de
ativos a exemplo da BR Distribuidora. Dependendo do tempo de paralisação, a
distribuição de combustíveis no Estado poderá ser comprometida.
O coordenador geral do
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco e Paraíba
(Sindipetro PE-PB), Marcos Aurélio Monteiro, afirma que os sindicatos estaduais
aguardam a sinalização da FUP para iniciar a greve a qualquer momento. Na
última sexta-feira, a FUP protocolou na sede da Petrobras, no Rio, um
comunicado de paralisação por tempo indeterminado, assinado por 13 sindicatos,
prevendo o início da greve para a partir de hoje.
“Dessa vez nossas
reivindicações não se referem a discussões salariais ou pautas da natureza do
trabalho. Estamos preocupados com o desinvestimento na Petrobras, que significa
diminuição dos empregos e perdas de conquista da categoria”, observa Monteiro.
Em Pernambuco, a previsão era que a refinaria tivesse 1,5 mil funcionários
quando entrasse em plena operação. Sem a conclusão do segundo trem de refino e
com a Rnest funcionando apenas com 64% de sua capacidade, o número de
petroleiros não ultrapassa 470. Os 330 restantes para completar o quadro de 800
trabalhadores no Estado estão distribuídos entre o Terminal da Transpetro e a
sede administrativa no bairro de Boa Viagem.
A Rnest só está autorizada a
processar 73,6 mil barris de petróleo, de um total de 115 mil do primeiro trem.
Isso porque não concluiu obras fundamentais para reduzir a poluição ambiental.
Com a paralisação, a previsão é que seja mantido um contingente de 30% dos
trabalhadores, obedecendo à Lei de Greve.
A paralisação dos petroleiros
por tempo indeterminado poderá prejudicar a distribuição de combustíveis para
abastecer o mercado nordestino, além de atrasar o abastecimento de petróleo da
Rnest, porque tanto a matéria-prima quanto os produtos entram e saem pelo
Terminal da Transpetro. “Tudo vai depender das negociações com a Petrobras. Mas
também existe outro fator, que é o comportamento do distribuidor. Em 1995
tivemos um caso de desabastecimento de combustíveis porque os distribuidores
estocaram os produtos e alegaram que a culpa pela escassez era da greve”,
alerta Monteiro. (Via: JC)
Blog: O Povo com a Notícia
