Pernambuco já registrou mais de
mil homicídios em 65 dias. A marca, infelizmente, foi alcançada com os casos
registrados no último fim de semana, quando foram contabilizados 49 mortes, e
com os números do carnaval mais violento dos últimos sete anos, quando foram
cometidos 85 assassinatos no Estado. O dados apontam um crescimento de 40%
sobre o mesmo período do ano passado, quando foram cometidos 712 homicídios até
o dia 5 de março.
Em resposta aos fatos que batem nas portas dos pernambucanos
todos os dias, o Governo do Estado tentar camuflar a realidade escondendo os
números e recheando a mídia de mensagens otimistas, de que tudo está sob
controle. Quando na verdade não está. Sem sucesso no controle da criminalidade,
o Governo apenas mudou a metodologia de divulgação dos dados, diminuindo a transparência
e dificultando o acesso aos números da criminalidade, que sempre foi um dos
pilares do Pacto pela Vida.
Desde o início de 2015, a Bancada de Oposição na Assembleia
Legislativa de Pernambuco (Alepe) vem alertando para a necessidade de uma reformulação
do Pacto pela Vida, que teve sua falência decretada pelo próprio sociólogo José
Luiz Ratton, um dos idealizadores do programa. “As únicas medidas adotadas pelo
Governo do Estado foram as trocas do comando da Polícia Militar, do chefe da
Polícia Civil e do próprio secretário de Defesa Social, como se essas medidas
fossem solucionar o clima de guerra civil vivido hoje nas ruas do Estado”,
lembra o deputado Silvio Costa Filho (PRB), líder da Bancada de Oposição.
Silvio encaminhou solicitação ao presidente da Comissão de
Cidadania e Direitos Humanos, deputado Edilson Silva (Psol), para realização de
uma audiência pública para discutir o Pacto pela Vida. A ideia, segundo o
parlamentar, é trazer para o debate alguns dos idealizadores do programa, que foi
responsável pela redução da criminalidade até 2013. “Nos últimos três anos,
foram mais de 40% de crescimento na violência e o Governo do Estado parece
paralisado, sem poder de reação, enquanto o clima vivido nas ruas é de guerra
civil”, destacou Edilson.
A Oposição cobra melhorias nas condições de trabalho dos
agentes de segurança, já que a Lei aprovada no plenário da Assembleia trata
exclusivamente de salários e da carreira de policiais e bombeiros militares,
deixando de lado o reaparelhamento da força policial, uma das principais
reivindicações da categoria. “É preciso que o Governo retome o diálogo com os
policiais, reestabeleça uma mesa permanente de negociação”, reforça Joel da
Harpa (PTN), vice-líder da Oposição.
Os parlamentares da Oposição cobram também do Governo do
Estado a apresentação de um plano para reduzir a violência este ano e no
próximo e que esse plano seja de livre conhecimento da população, tendo em
vista a redução da transparência na segurança desde o início deste ano. “É
preciso que o Governo venha à sociedade dizer o que está fazendo, efetivamente,
para reduzir a média de 16 assassinatos por dia registrada este ano, assim como
o crescimento de 438% no número de assaltos a ônibus e os 75% de aumento no
casso de crimes violentos contra o patrimônio”, cobrou Silvio.
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