Michel Temer não tem nada a ver
com os R$ 10 milhões que a Odebrecht deu ao PMDB por baixo da mesa em 2014,
como não teve nada a ver com o rateio do dinheiro. Marcelo Odebrecht, o
provedor dos recursos, foi recebido em jantar no Jaburu. Seu funcionário
Cláudio Melo Filho acertou a distribuição do dinheiro com o atual chefe da Casa
Civil, Eliseu Padilha, amigo do presidente há três décadas. Mas Michel Temer
não tem nada a ver com isso.
Diz-se que parte do dinheiro (R$ 6 milhões) foi para a
campanha de Paulo Skaf, que era o candidato de Temer ao governo de São Paulo em
2014. Informa-se que coube a Padilha fazer a divisão do que sobrou (R$ 4
milhões). Mas Michel Temer não tem nada a ver com isso.
O delator Cláudio Melo diz que um dos endereços onde mandou
entregar dinheiro vivo foi o escritório paulistano do advogado José Yunes.
Amigo de Temer há 50 anos, Yunes demitiu-se da assessoria especial do Planalto
quando a revelação ganhou as manchetes. Mas isso não tem nada a ver com o
presidente.
Com um atraso de quase três meses, José Yunes levou os lábios
ao trombone para admitir que, a pedido de Eliseu Padilha, recebera em seu
escritório um ''pacote'' das mãos do notório doleiro Lúcio Funaro. Entregou a
encomenda para alguém cujo nome não se lembra. O barulho de Yunes e o mutismo
de Padilha se parecem muito com uma operação para blindar o amigo-presidente.
Michel Temer, obviamente, não tem nada a ver com isso também.
As contas da campanha presidencial de 2014 estão apodrecidas.
O departamento de propinas da Odebrecht enfiou dinheiro roubado da Petrobras e
adjacências dentro da caixa registradora do comitê eleitoral. Michel Temer não
tem nada a ver com isso. Nada a ver também com os pagamentos ilegais que a
Odebrecht fez ao marqueteiro João Santana no estrangeiro. O vice virou
presidente graças aos mesmos 54 milhões de votos dados pelo eleitorado à
antecessora deposta. Mas por que diabos Michel Temer teria alguma coisa a ver
com isso?
O ‘nada a ver’ é uma adaptação de Michel Temer ao ‘não sabia’
de Lula e Dilma. Permite que ele governe sem que nenhuma revelação abale o seu
otimismo. Muita gente acredita em Temer porque sua desculpa tem lógica. O
presidente deveria mandar tatuar na testa a frase: “Eu não tenho nada a ver com
isso.” Pouparia o papel e a tinta das notas oficiais.
Hoje, Michel Temer está licenciado da presidência do PMDB.
Mas comandou a legenda por 15 anos. Se durante todo esse período não teve nada
a ver com descalabros como a sociedade que seu partido firmou com o PT para
assaltar a Petrobras e converter obras como Belo Monte em usinas de propinas,
por que Michel Temer teria algo a ver com qualquer coisa agora? Melhor
indultá-lo preventivamente com uma amnésia coletiva fingida. Do contrário,
seria necessário concluir que o Brasil está sendo presidido por um tolo. (Via: Blog do Josias de Souza)
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