Lula
tentou adiar o encontro com Sergio Moro, marcado para esta quarta-feira (10),
porque seus advogados, por esperteza, imaginaram ter enxergado uma oportunidade
no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Normalmente, o pedido de adiamento
seria submetido ao crivo do desembargador João Pedro Gebran Neto, que já se
revelou um magistrado duro de roer. Mas Gebran está em férias. E os advogados
de Lula decidiram tentar um bote. A única coisa que obtiveram foi a confirmação
de um velho ensinamento de Tancredo Neves: “A esperteza, quando é muita, come o
dono.”
O juiz federal Nivaldo Brunoni,
que substitui Gebran Neto, indeferiu o pedido dos defensores de Lula num despacho
que exala ironia. Depois de requisitar à Petrobras um papelório que tem pouco
ou nada a ver com o processo, os advogados do pajé do PT reivindicaram mais
tempo para percorrer os cerca de 5 mil documentos enviados pela estatal.
''Veja-se que a juntada de documentação pela Petrobras foi requerida pela
própria defesa”, realçou o juiz. “Ainda que em certa medida impertinente ao
processo, porquanto não relacionada aos contratos indicados na denúncia, foi
facultada pelo juízo de primeiro grau a sua obtenção para posterior juntada ao
processo, inclusive com o comparecimento pessoal na sede da empresa.'' Foi como
se o doutor Nivaldo Brunoni recitasse outro ensinamento de Tancredo: ''Eles
criam os fantasmas e depois se assustam com eles.''
Para desassossego da banca que defende Lula, o juiz arrematou o seu
despacho nos seguintes termos: ''Não se desconsidera que a existência de
milhares de páginas para exame demanda longo tempo, mas foge do razoável a
defesa pretender o sobrestamento da ação penal até a aferição da integralidade
da documentação por ela própria solicitada, quando a inicial acusatória está
suficientemente instruída.''
Quer dizer: além de não conseguir o pretendido adiamento, a defesa de Lula
enfiou dentro do processo uma manifestação vinda do tribunal de segunda
instância informando que “a inicial acusatória está suficientemente instruída.”
Significa dizer que, vencida a fase dos depoimentos e das chamadas alegações
finais, Sergio Moro poderá produzir uma sentença. Espera-se que Lula tenta algo
a oferecer além da esperteza dos advogados.
— Atualização feita às 18h39
desta terça-feira (09): o mesmo juiz
Nivaldo Brunoni indeferiu o pedido
da defesa de Lula para gravar, com equipe própria, as imagens do interrogatório
de Lula. O magistrado considerou a petição inusitada e ilógia. ''As gravações
de audiência já passam de uma década e, até hoje, nunca transitou por este tribunal
inusitado pedido, tampouco notícia de que a gravação oficial realizada pela
Justiça Federal tenha sido prejudicial a algum réu'', anotou.
Blog: O Povo com a Notícia
Via: Blog do Josias de Souza
