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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Fã de Ivete Sangalo e admirador de Rogério Ceni: ‘Vozinha’ faz história com Cabo Verde na Copa do Mundo

O empate em 0 a 0 entre Cabo Verde e Espanha, pela primeira rodada da Copa do Mundo de 2026, nesta segunda-feira (15), teve um protagonista improvável. Aos 40 anos, o goleiro  Josimar José Évora Dias, conhecido como ‘Vozinha’, foi determinante para garantir o primeiro ponto da história da seleção cabo-verdiana em Mundiais e transformou uma trajetória marcada por persistência em um dos grandes enredos do torneio.

Por trás das sete defesas decisivas que seguraram uma das favoritas ao título está uma história que mistura referências brasileiras, estreia tardia no profissional e uma longa caminhada até o maior palco do futebol entre seleções.

Quem é 'Vozinha'?

Nascido em 3 de junho de 1986, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, o goleiro recebeu o nome por influência direta do futebol. Em entrevista à ESPN, o jogador revelou que o pai, militar e apaixonado por futebol, inicialmente queria homenagear o atacante argentino Jorge Valdano, destaque da Copa daquele ano.

Como o registro não foi autorizado, a família escolheu outro personagem marcante daquele Mundial: o lateral brasileiro Josimar.

O meu pai e a minha avó torciam pelo Brasil. E meu pai gostava muito do Josimar”, contou.

Apesar do nome inspirado em um atleta brasileiro, foi o apelido que o acompanhou ao longo da carreira. Criado pelos avós, Maria Senhorinha dos Santos e Manuel da Luz Moraes, Vozinha passou a infância jogando futebol com meninos mais velhos nas ruas do bairro onde cresceu. O comportamento competitivo e as reclamações constantes após os jogos acabaram rendendo o apelido.

Segundo o goleiro, quando voltava para casa irritado após as partidas, os colegas diziam que ele iria reclamar com os avós, e começaram a chamá-lo de “Vozinha”. O que começou como brincadeira acabou ganhando outro significado com o passar dos anos e virou uma homenagem indireta à criação recebida dos avós.

Diferentemente de boa parte dos atletas que chegam a uma Copa do Mundo, Vozinha demorou para alcançar o futebol profissional. O arqueiro  iniciou a carreira em clubes de Cabo Verde, em um contexto semiprofissional, e só assinou o primeiro contrato profissional aos 25 anos, quando foi para o Progresso do Sambizanga, em Angola.

Sem formação em categorias de base especializadas para goleiros, construiu o próprio caminho: “Não tive base ou aquela escola para me ensinar a ser goleiro e as técnicas. Foi sempre na minha força de vontade, no trabalhar, no saber ouvir e no saber aprender”, afirmou.

A estreia em Angola teve um detalhe especial, pois aconteceu diante de uma equipe que contava com Rivaldo. Depois da passagem pelo futebol angolano, o goleiro construiu trajetória internacional com passagens por Moldávia, Portugal, Chipre e Eslováquia, defendendo clubes como Zimbru Chișinău, Gil Vicente, AEL Limassol, AS Trenčín e, mais recentemente, o Chaves.

Desde 2012 na seleção de Cabo Verde, participou de quatro edições da Copa Africana de Nações e foi um dos líderes da campanha que classificou o país para sua primeira Copa do Mundo. Capitão da equipe nas Eliminatórias, Vozinha descreveu a vaga como um momento histórico para toda a população cabo-verdiana.

Ver as pessoas chorando de alegria, um choro de orgulho, de sentimento, de pertencimento ao país. A seleção uniu o povo”, declarou.

O goleiro também contou que cresceu assistindo novelas brasileiras após os telejornais e citou produções como “Xica da Silva”, “Malhação” e “Rei do Gado” entre as que marcaram sua infância.

Na música, o cabo-verdiano revelou admiração por artistas como a cantora baiana Ivete Sangalo, Seu Jorge, Cidade Negra, Grupo Revelação e Roberto Carlos. No futebol, apontou como referências Rogério Ceni, técnico do Bahia, além de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho.

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