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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Governo Lula espera escalada de tensão com EUA após fuga de Flávio

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que a fuga do senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve voltar a elevar a tensão entre Brasil e Estados Unidos.

Derrotado na eleição presidencial do último domingo (25/10), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o Brasil na madrugada dessa quarta-feira (28/10), pela fronteira com a Argentina, acompanhado da esposa e das duas filhas. Em seguida, embarcou rumo aos Estados Unidos.

Flávio planeja conceder uma entrevista coletiva à imprensa ainda nesta semana, diretamente dos EUA, para explicar os motivos da fuga. Ele também deve formalizar um pedido de “asilo político” ao governo norte-americano.

Suspeita de envolvimento do governo Trump

O episódio ganha maior dimensão, no entanto, diante da suspeita de envolvimento do governo de Donald Trump na operação. Segundo Simón Levy, advogado mexicano ligado ao presidente norte-americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria arquitetado a fuga.

Rubio é considerado pelo governo brasileiro o principal representante da ala ideológica da Casa Branca, que articula ações e retaliações contra o Brasil. O secretário é próximo de Eduardo e Flávio Bolsonaro e já criticou publicamente Lula em diversas ocasiões.

Soma-se a esse cenário a possibilidade de o Partido Republicano, de Trump, perder espaço nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, marcadas para a próxima terça-feira (3/11).

O pleito renovará todas as cadeiras da Câmara dos Representantes, um terço do Senado e 36 governos estaduais. Pesquisas de intenção de voto indicam que os republicanos correm o risco de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso.

Uma eventual derrota de Trump nas urnas poderia ampliar a pressão política sobre o presidente norte-americano e abrir caminho para um processo de impeachment. Na avaliação de interlocutores do governo brasileiro, esse cenário poderia tornar Trump mais propenso a adotar medidas de retaliação contra países cujos governos não sejam seus aliados.

Trump segue falando em fraude na eleição brasileira

Trump se manifestou duas vezes sobre a eleição presidencial brasileira. Um dia após o pleito, sem apresentar provas, o líder norte-americano afirmou que o resultado da disputa “pareceu mais uma eleição fraudulenta”. Na ocasião, o republicano disse que o pleito transmitiu uma imagem negativa ao mundo e defendeu que as eleições sejam incontestáveis.

Apesar das críticas, Trump afirmou gostar de Lula e manter uma boa relação com o presidente brasileiro.

O governo do Brasil optou por não reagir à declaração, a fim de evitar alimentar uma polêmica considerada desnecessária. A avaliação é que, com exceção da Argentina e dos Estados Unidos, os principais atores políticos reconheceram imediatamente a vitória do petista, incluindo lideranças da direita sul-americana.

Fuga após intimação

A fuga do país ocorreu depois da intimação para entregar os passaportes para a Polícia Federal (PF).

A notificação foi dada no âmbito da investigação que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas por parte do senador e do empresário e amigo Willer Tomaz. Os crimes teriam sido cometidos em empresas de apostas e plataformas de pagamento.

O pedido de apreensão dos passaportes foi feito pela PF e atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão teria se baseado em uma fala do irmão dele, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

Em vídeo na última sexta-feira (23/10), Eduardo afirmou que, em caso de derrota nas eleições, Flávio Bolsonaro deveria deixar o Brasil. Segundo ele, o irmão ficaria sujeito a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar. (Íntegra, clique aqui).

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