Há 40 anos no jornalismo político, com atuação concentrada em Brasília, nunca cobri e presenciei uma disputa presidencial de resultado tão acirrado e imprevisível, numa escuridão sem lamparina. Ao longo desta semana, a última da campanha de segundo turno, houve uma enxurrada de pesquisas dos mais variados institutos, 98% delas com Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT).
Mas nada que nos garanta que o filho de Bolsonaro sairá eleito das urnas. Se as pesquisas chegam recheadas de todos os sabores, os palpites de jornalistas, cientistas políticos e estudiosos da matéria são muito mais díspares, verdadeiros chutômetros. Ninguém diz nada com nada, porque os percentuais de Lula e Flávio são muito próximos, às vezes empates técnicos, outras vezes empates numéricos.
O achismo virou lugar comum e ninguém tem certeza se Lula se reelege ou se perde para Flávio. Se na política houvesse lógica, a eleição seria de Flávio. Por quê? Por região, o herdeiro de Bolsonaro só não ganhou no Nordeste, santuário eleitoral do lulismo. Há um referencial histórico que diz que o candidato que ganha em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, se elege.
Flávio ganhou em Minas, São Paulo e no Rio, os três maiores colégios eleitorais. Ganhou no Sul, entre os evangélicos e nas classes C e D, além dos jovens. Mas do primeiro para o segundo turno houve uma reação de Lula, daí o imponderável. Quem ganhar será por um mínimo de votos, algo entre 1 e 2 milhões de diferença, no máximo.
Isso é o elementar, o que se ouve até entre os neófitos em política. Na verdade, Lula, que se achava imbatível, subestimou Flávio e até torceu para ser o seu adversário, achando que seria o mais fácil de ser batido. O tempo, as pesquisas e os prognósticos se encarregaram de mostrar que ele estava errado. (Via: Coluno do Blog Magno Martins)
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