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A estiagem longa que tem sido
enfrentada por milhões de brasileiros da região Nordeste está levando animais
selvagens para perto das propriedades rurais e das pessoas.
A imagem do rio seco impressiona. Tudo lembra um deserto. Foi
assim que um bicho nunca visto no agreste de Pernambuco apareceu no sítio do
seu Virgílio.
“Eu vi aquele animal atacando um cabrito meu. Ele deu um bote
e quando eu olhei, um relâmpago, pulou a cerca com um cabrito e saiu correndo”,
conta Virgílio Pereira Barbosa, agricultor.
Depois do susto, o agricultor procurou um grupo de
ambientalistas para tentar descobrir qual o animal tinha atacado o cabrito.
“Nós começamos a montar uma estratégia para fazer uma visita
nos arredores e tentar pegar alguma imagem desse animal”, relata o biólogo
Pablo Ricardo Pereira.
Eles colocaram cinco câmeras em locais onde havia água e
filmaram uma imagem inédita no Nordeste brasileiro: uma família de pumas, da
espécie puma jaguarundi. O puma era encontrado nas florestas da América do
Norte até a América do Sul, mas hoje está ameaçado de extinção.
A mãe, vermelha, e dois filhotes, um cinza e um vermelho,
chegam sedentos em um poço natural, que secou. Adultos, eles podem medir até
1,40 metro e pesar dez quilos.
Os pumas farejam, andam de um lado para o outro, mas não
encontram água. Esses animais estavam escondidos no meio da caatinga, mas por
causa da seca eles começam a se aproximar das casas dos agricultores. Estão
atrás de água e comida.
A região sofre uma das piores secas da história. A barragem
de Jucazinho, após uma estiagem severa está completamente seca. Pequenos reservatórios
também estão vazios.
Os ambientalistas registraram, com fotografias, outros
animais em busca de água. São raposas, seriemas, tamanduás e gatos do mato.
“A luta da sobrevivência desses animais é algo que tem tocado
a gente. A imagem do puma com o focinho sujo de lama retrata muito bem isso,
retrata a dureza que é sobreviver nesse bioma. Estamos acostumado com um, dois
anos sem água, mas estamos indo para o sexto ano consecutivo de seca”, afirma
Bruno Bezerra, coordenador do projeto Bichos da Caatinga.
Os ambientalistas afirmaram que o puma não ataca se não for
ameaçado. Mesmo assim, eles pedem que os agricultores não se aproximem dos
animais e chamem a polícia ambiental se encontrarem algum. (Via: G1)
Blog: O Povo com a Notícia