A defesa do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva entrou com pedido de liminar de habeas corpus preventivo
no STF (Supremo Tribunal Federal) para evitar uma eventual prisão por causa da
condenação em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá, na Lava Jato.
Na semana passada, Lula foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção
passiva em segunda instância, pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª
Região). Ele já havia sido condenado pelo juiz Sergio Moro, do Paraná.
Na terça-feira (30), a defesa recorreu ao STJ (Superior Tribunal de
Justiça) com um pedido de habeas corpus preventivo para afastar a possibilidade
de antecipação de cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão em regime
fechado.
No entanto, o pedido foi negado pelo vice-presidente do STJ, ministro Humberto
Martins. Agora, a defesa recorreu contra essa decisão.
O habeas corpus foi encaminhado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava
Jato no STF. Ele tem negado liberdade provisória a condenados na operação.
No pedido protocolado nesta sexta-feira (02), Lula pede para que a ação
seja julgada pela segunda turma do STF, composta por Fachin e outros quatro
colegas: Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Celso de Mello.
O colegiado tem tomado decisões garantistas, a favor do réu. Quatro dos
cinco ministros que fazem parte do colegiado defendem que o réu recorra em
liberdade até que o processo transite em julgado: Celso de Mello, Gilmar
Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, que já foi advogado-geral da União
durante governo do ex-presidente.
Caso o pedido não seja atendido, a defesa pede para que o ministro
suspenda a execução provisória da pena, a fim de evitar com que ele seja preso
depois que forem julgados os últimos recursos no TRF-4. Nessa linha, a defesa
pede para que Lula permaneça em liberdade até que seu processo seja analisado
pelo STJ.
Um pedido de liminar neste sentido foi feito nesta sexta ao Supremo, mas
em outra ação, e apresentado pelo criminalista Antonio Carlos Almeida Castro, o
Kakay.
Nos bastidores do STF a avaliação é que as chances de Lula são maiores no
STF do que no STJ justamente por causa do posicionamento dos ministros em
relação à prisão após condenação em segunda instância.
Como a Folha mostrou no sábado (27), reservadamente ganha força a
hipótese, no cenário de nova votação, de a maioria do plenário do STF alterar a
regra em vigor, interpretando que será preciso esperar uma decisão do STJ para
que a sentença seja aplicada.
A defesa do petista cita a possibilidade de um novo julgamento sobre
segunda instância ter outro resultado: "Forçoso se ressaltar, ainda, que o
insigne ministro Gilmar Mendes que compôs a corrente majoritária em favor da
execução provisória nos três julgamentos citados já adiantou possível mudança
de posicionamento, no sentido de que, para que se possa cogitar da execução
provisória da pena, demanda-se, além da imprescindível e concreta
fundamentação, o esgotamento da jurisdição do Superior Tribunal de Justiça.
Posteriormente, proferiu decisões liminares confirmando a evolução de seu
entendimento".
APEQUENAR O STF
No documento, a defesa de Lula rebate a declaração feita pela presidente do
STF, ministra Cármen Lúcia.
Depois da condenação de Lula pelo TRF-4, Cármen Lúcia disse a
interlocutores que pautaria uma ação relatada pelo colega Marco Aurélio para
ser discutida no plenário e, assim, unificar a jurisprudência do tribunal a
respeito do tema.
No começo da semana, no entanto, ela recuou e disse que o tribunal vai se
apequenar se aproveitar a condenação do ex-presidente para rediscutir a prisão
de condenados em segunda instância.
"Rever esse posicionamento não apequena nossa Suprema Corte ao
contrário a engrandece, pois, nos momentos de crise, é que devem ser
fortalecidos os parâmetros, os princípios e os valores. A discussão prescinde
de nomes, indivíduos, vez que importa à sociedade brasileira como um todo. Espera-se que este Supremo Tribunal Federal, a última trincheira dos cidadãos,
reafirme seu papel contramajoritário, o respeito incondicional às garantias
fundamentais e o compromisso com a questão da liberdade", diz o documento
apresentado pela defesa. (Via: Folhapress)
Blog: O Povo com a Notícia
