A equipe de Bolsonaro já prepara relatórios
sobre quem é quem em cargos com salários entre “R$ 30 mil e R$ 60 mil”. O
presidente eleito quer saber quem ocupa os lugares apenas por indicação
política e promover uma ampla reestruturação no comando dos bancos estatais.
Na
última terça-feira (13), o presidente eleito afirmou que vai cortar 30% dos
cargos políticos nos bancos federais. “Pretendemos diminuir (o número de
cadeiras) e colocar gente comprometida com outros valores lá dentro”, disse.
De
acordo com as equipes de transição, as informações estão apontadas por grupos
de funcionários de carreira do Banco do Brasil (BB), da Caixa Econômica Federal
(CEF), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do
Banco do Nordeste (BNB) e do Banco da Amazônia (BASA).
Após
a análise dos relatórios, o presidente deve cargos executivos – demitir não
concursados e trocar funcionários de carreira nesses postos, afastando
indicados políticos e até cortando funções para reduzir o quadro total.
Banco do Brasil na mira de Bolsonaro
Apadrinhados
políticos chegam a ocupar cargos com salário de até R$ 61,5 mil no BB. O grupo
de funcionários que prepara um relatório sobre a situação do banco para
apresentar à equipe de Bolsonaro está mirando especialmente executivos de
carreira da instituição que foram nomeados durante os governos petistas.
Durante
os 14 anos de governo do PT, o Banco do Brasil passou por uma ampliação de sua
estrutura de comando. Além de nove vice-presidentes (salário de R$ 61,5 mil
cada) e 27 diretores (R$ 47,7 mil), a instituição criou 11 cargos de
gerente-geral (R$ 47,7 mil). A ampliação de diretorias para abrigar
funcionários sintonizados com os partidos de sustentação do governo exigiria
uma complexa mudança estatutária com remunerações acima do teto do
funcionalismo público de R$ 33,7 mil. A folha de pagamento mensal de
cargos executivos do banco representa um gasto total de R$ 28, 9 milhões.
Na
Caixa, a diretoria do banco tinha um presidente e seis diretores em 1994. Hoje,
são 12 vice-presidentes que recebem salário de cerca de R$ 50 mil.
No
fim de outubro, auxiliares de Bolsonaro reclamaram da decisão do presidente
Michel Temer de chancelar a nomeação de quatro vice-presidentes, cargos que
estavam vagos desde o começo do ano quando o governo recebeu recomendação do
Banco Central e do Ministério Público do Distrito Federal para demitir
executivos citados nas delações da Operação Lava Jato. O Palácio do Planalto
informou ao grupo de Bolsonaro que o processo de seleção foi “profissional”.
A
equipe de Bolsonaro afirma que a meta é fazer um pente-fino e espera que o
Planalto passe a lista de apadrinhados na estrutura das instituições para
acabar com o super-salários que superam até os vencimentos do Presidente da
República.
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