Bebês
diagnosticados com microcefalia em todo o País vão ter direito a receber um
salário mínimo por mês, uma espécie de aposentadoria, desde que pertençam a
famílias com renda mensal de até R$ 220 (um quarto do salário mínimo) por
pessoa. A medida deve ser anunciada nos próximos dias pelo governo como forma
de proteção às famílias pobres com crianças portadoras da má-formação.
A reportagem apurou que o Ministério da Saúde já repassou a
lista com os municípios onde foram registrados casos de microcefalia para que o
Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) faça um cruzamento com o cadastro
único do governo de benefícios sociais. Em nota, o MDS confirmou que está em
diálogo com os técnicos do Ministério da Saúde.
O Benefício de Proteção Continuada (BPC), instituído pela
Constituição de 1998 e regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social
(Loas), garante 1 salário mínimo mensal a idosos com mais de 65 anos e a
pessoas com deficiência que não tenham meios para se sustentar nem podem ser
sustentadas pela família, independentemente da idade. Atualmente, 4,2 milhões
de pessoas são beneficiadas. O orçamento deste ano, sem incluir os casos de
microcefalia, estima pagamentos de R$ 48,3 bilhões.
Pais: Para o advogado especialista em Direito previdenciário Rômulo
Saraiva, além das consequências da microcefalia, para a concessão do benefício
deve ser acrescentado o impacto da doença na vida dos pais. "Essas
crianças precisam de cuidados especiais e do tempo deles, que, muitas vezes,
têm de abdicar do emprego", afirmou.
O último boletim do Ministério da Saúde, com dados até 16 de
janeiro, relata a existência de 3.893 casos suspeitos de microcefalia no País.
Para pedir o benefício, é preciso agendar uma perícia no Instituto Nacional do
Seguro Social (INSS) pelo telefone 135. A reportagem do Estado ligou para a
central de atendimento, que informou ser preciso o número da identidade e do
CPF da criança para fazer o agendamento. Para a concessão do benefício, a
criança passará por avaliação médica e social.
Por causa do represamento de perícias, motivado por uma greve no
INSS, os agendamentos são feitos para até abril e maio. No entanto, segundo o
Ministério do Desenvolvimento Social, é assegurada a oferta prioritária dessa
avaliação para os beneficiários e famílias do Benefício de Proteção Continuada.
Saraiva explicou que, caso o pedido seja negado ou demore mais de dois meses,
as famílias podem recorrer à Justiça. (Via: Estadão)
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