Sem
João Santana, Dilma Rousseff não consegue redigir uma carta. Adiou pela terceira
vez — ou seria a quarta? — a divulgação do texto idealizado para virar votos no
Senado. É como se lhe caísse a ficha do fato consumado.
Alguém deve ter dito no exílio do
Alvorada que todas as opiniões de Dilma sobre Dilma são suspeitas. A essa
altura, o documento seria inútil ainda que contivesse um gesto de contrição. Um
remorso tardio não seria exemplo aproveitável.
Em sua penúltima versão, a carta
oculta de Dilma contém cinco páginas. O miolo da alcatra está na proposta de
realização de um plebiscito sobre a antecipação das eleições presidenciais.
Desmarquetada e com a corda no
pescoço, tudo o que Dilma tem a oferecer caso lhe restituam a poltrona é uma
consulta para que o povo informe que prefere escolher outro presidente. Até Rui
Falcão já tomou distância da tolice.
No mais, a carta de Dilma é, na
definição de um senador que leu a peça, um documento raso. Se fosse uma poça,
poderia ser atravessada por uma formiga —com água pelas canelas.
Na falta de João Santana, alguém
deveria se habilitar para a função de orientador de Dilma. Há no PT um nome
ideal: Lula. É o único que pode dizer para madame, sem levar um passa-fora, que
o vaivém da carta está na bica de atravessar a fronteira do patético. (Via: Blog do Josias de Souza)
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