A
ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, participou nesta
quinta-feita de um encontro sobre segurança
pública, em Goiânia. Ao discursar, lamentou que o Estado no Brasil gaste 13
vezes mais com os presos do que com os estudantes. Evocando o antropólogo Darcy
Ribero, ela declarou que falta dinheiro para construir presídios hoje porque,
no passado, negligenciou-se o investimento em educação.
“Um preso no Brasil custa R$ 2,4
mil por mês e um estudante do ensino médio custa R$ 2,2 mil por ano. Alguma
coisa está errada na nossa pátria amada”, disse Cármen Lúcia. “Darcy Ribeiro
fez, em 1982, uma conferência dizendo que, se os governadores não construíssem
escolas, em 20 anos faltaria dinheiro para construir presídios. O fato se
cumpriu. Estamos aqui reunidos diante de uma situação urgente, de um descaso feito
lá atrás.”
Entre as pessoas que ouviram a
presidente do Supremo estava o ministro Alexandre Moraes (Justiça). Ele
apresentou no encontro um Plano Nacional de Segurança Pública. Para Cármen
Lúcia, as mudanças devem ser estruturais e o esforço precisa envolver Estados,
municípios e União.
“São necessárias mudanças
estruturais. É necessária a união dos poderes executivos nacionais, dos poderes
dos estados, e até mesmo dos municípios, para que possamos dar corpo a uma das
maiores necessidades do cidadão, que é ter o direito de viver sem medo. Sem
medo do outro, sem medo de andar na rua, sem medo de saber o que vai acontecer
com seu filho.''
Na opinião da ministra, o país se
encontra em estado de guerra. “A cada nove minutos, uma pessoa é morta
violentamente no Brasil. Nosso país registrou mais mortes em cinco anos do que
a guerra da Síria. Estamos, conforme já disse o Supremo Tribunal Federal, em
estado de coisas inconstitucionais. Eu falo que estamos em estado de guerra.
Temos uma Constituição em vigor, instituição em funcionamento e cidadão
reivindicando direitos. Precisamos superar vaidades de detentores de
competências e, juntos, fazer alguma coisa.”
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