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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Diretor da Penitenciária de Petrolina e esposa movimentaram R$ 3,3 milhões em 3 anos, aponta investigação

O inquérito da Polícia Civil de Pernambuco que apura o forte esquema de corrupção na Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, localizada em Petrolina, no Sertão, identificou que o diretor da unidade e a esposa movimentaram mais de R$ 3,3 milhões desde abril de 2022 - valor incompatível com a renda mensal declarada pelo casal.

Alessandro Barbosa Martins de Sousa, à frente da penitenciária desde 2015, foi alvo de mandado de busca e apreensão e afastado das funções públicas após a deflagração da Operação Publicanos, na semana passada. Ele é apontado como principal beneficiado das propinas pagas por detentos em troca de regalias.

A esposa dele, Ana Paula Lopes Bezerra, também passou a ser investigada a partir da análise de relatório de inteligência financeira.

"No período analisado, as contas de Alessandro e Ana Paula chegaram a movimentar entre suas contas pouco mais de R$ 3.300.666,00, sendo R$ 1.726.091,90 em créditos/entradas e R$ 1.743.120,83 em débitos/saídas. Considerando a renda mensal declarada por eles - juntas totalizariam R$ 12.385,01 – tamanha soma torna-se incompreensível", apontou o documento.

A Polícia Civil suspeita que valores teriam sido repassados ao gestor como propina para liberação de entrada de drogas, bebidas alcoólicas, celulares e negociação de venda de cantinas e até camas na unidade prisional.

A investigação aponta que o diretor da penitenciária "aparece diversas vezes não só como depositante, mas também como beneficiário de transferências realizadas a partir da empresa Ana Lopes Moda Feminina, assim como sua esposa, o que sugere o uso do CNPJ para circulação de valores entre as contas pessoais do casal".

"Destaca-se ainda o padrão recorrente de transferências quase imediatas após o ingresso de valores nas contas, sem justificativa aparente. Essa dinâmica pode indicar uma tentativa deliberada de dissimular a origem ou o destino dos recursos", descreve a Polícia Civil.

"Chama atenção o fato de que grande parcela dos valores creditados nas contas ocorreu por meio de depósitos em espécie: foram R$ 315.600,00 distribuídos em 271 depósitos, provavelmente em espécie, em sua maioria, abaixo de R$ 2.000,00, e realizados em terminais de autoatendimento situados na cidade de Petrolina/PE", complementa.

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TESTA DE FERRO

O policial penal Vinicius Diego Sousa Colares, também alvo da operação, exercia a função de supervisor administrativo da penitenciária. Para os investigadores, ele agia como "testa de ferro" do diretor e servia de filtro das transações suspeitas.

"É utilizado para operacionalizar o fluxo financeiro que segue até o diretor do presídio. Além, de receber as quantias enviadas pelos presos via Pix, Vinicius ainda utiliza de seu cartão de crédito para comprar os mais variados objetos para Alessandro, uma forma de lavar o dinheiro sujo oriundo do presídio", aponta o inquérito.

Com renda mensal declarada de R$ 7,8 mil, o policial penal fez movimentações milionárias, entre 25 de agosto de 2023 e 14 de abril de 2025.

"Identificou-se movimentação financeira nitidamente incompatível com sua capacidade econômico-financeira. As entradas/créditos somaram R$ 1.810.005,47, enquanto as saídas/débitos foram de R$ 1.803.881,17, valores que, mesmo isoladamente, superam em muito a renda anual", diz a investigação.

CRIMES ATRIBUÍDOS AOS INVESTIGADOS

Para os investigadores, as provas são robustas quanto à participação dos servidores públicos nos crimes de lavagem de dinheiro e introdução de aparelho telefônico de comunicação móvel em presídio. O inquérito segue em andamento, com análise de materiais - como celulares e documentos - apreendidos na primeira fase da operação.

O diretor da penitenciária e cinco policiais penais, afastados das atividades, também são investigados pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS).

Em nota, na semana passada, a assessoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) declarou apenas que "não compactua com quaisquer atos ilícitos dentro do sistema prisional de Pernambuco". (Via: Jc)