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domingo, 4 de janeiro de 2026

Você sabia? Facções criminosas possuem 25 funções definidas no tráfico de drogas; saiba quais são

O tráfico de drogas no Rio de Janeiro deixou há tempos de funcionar de forma improvisada. Hoje, as principais facções atuam com divisão de tarefas, especialização de mão de obra e setores bem definidos, em um modelo que se assemelha ao de grandes empresas. Um levantamento detalhado do jornal O Globo revela como essa engrenagem criminosa passou a contar com até 25 funções distintas, distribuídas entre áreas como logística, finanças, tecnologia, eventos e controle territorial.

A apuração, conduzida por O Globo a partir de dados da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e de entrevistas com ex-integrantes do tráfico, mostra que pelo menos 20 desses cargos já foram identificados oficialmente em operações realizadas entre 2024 e 2025. Para a Polícia Civil, o cenário atual evidencia um nível de profissionalização sem precedentes.

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Reprodução / O Globo


Segundo o delegado Moysés Santana, titular da DRE, o tráfico passou a operar como “uma empresa de grande porte”, com funções altamente segmentadas. Além dos cargos tradicionais — como chefe da comunidade, gerente geral, vapores, soldados e radinhos —, surgiram novas atribuições impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela disputa armada por território.

Um dos exemplos mais emblemáticos é o chamado gerente ou mentor de barricadas, responsável por planejar e manter obstáculos que dificultam a entrada da polícia nas comunidades. Conforme mostrou O Globo, essas estruturas evoluíram de simples entulhos para verdadeiras obras de engenharia clandestina, com uso de metais pesados, eletrificação e até explosivos. A sofisticação foi tamanha que o estado criou um batalhão específico da Polícia Militar para lidar com esse tipo de bloqueio.

Outra função que ganhou protagonismo é a de gerente de monitoramento por drones. De acordo com investigações citadas pelo O Globo, facções passaram a usar drones com visão noturna, câmeras com sensores de movimento e até ações de contrainteligência aérea para vigiar operações policiais. Há equipes destinadas exclusivamente a operar os equipamentos, planejar voos e, em alguns casos, capturar drones das forças de segurança.

A estrutura também inclui gerentes de bailes e eventos, responsáveis por organizar festas em comunidades dominadas pelo tráfico. Segundo o Ministério Público, além de gerar lucro e lavar dinheiro, esses eventos ajudam a fortalecer o controle social e a influência cultural das facções, especialmente entre jovens moradores.

Com a intensificação das operações aéreas, surgiram ainda os grupos de combate antiaéreo. Como destacou o jornal, essas equipes atuam com táticas de guerrilha, reunindo atiradores especializados e operadores de munição traçante, com o objetivo de atingir helicópteros policiais. Dados da Secretaria de Polícia Civil indicam que os ataques a aeronaves cresceram de forma exponencial nos últimos anos.

A ocupação territorial levou à criação dos gerentes de extorsão, responsáveis por impor cobranças a comerciantes e moradores, controlar a arrecadação e repassar os valores à liderança da facção. Já os gerentes de roubos de veículos e cargas passaram a integrar formalmente a engrenagem financeira, articulando assaltos, transporte e ocultação dos bens roubados.

O levantamento aponta ainda a existência de mão de obra especializada para a construção de túneis, bunkers e esconderijos subterrâneos, usados como depósitos de armas, drogas e rotas de fuga. Em paralelo, há uma série de funções auxiliares — como “formiguinhas”, “fiéis” e jovens recrutados apenas aos fins de semana — que garantem o funcionamento cotidiano da estrutura.

Para investigadores ouvidos pelo jornal, a transformação do tráfico em uma organização empresarial foi impulsionada por dois fatores principais: a necessidade de se proteger das ações do estado e a disputa constante entre facções rivais. O controle do território passou a ser mais estratégico e lucrativo do que a simples venda de drogas.

Ainda segundo O Globo, a Polícia Civil avalia que o número de funções pode ser ainda maior em áreas onde o domínio das facções é mais consolidado. Em grandes complexos de favelas, a engrenagem criminosa tende a se expandir, com setores próprios dedicados à logística, finanças, comunicação, defesa e inteligência.