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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O que querem esconder? Donos do Bastidor.PE tentam evitar revelação sobre origem da foto do panfleto

O mistério sobre a origem do suposto panfleto que menciona o marido da governadora Raquel Lyra ganhou um novo e relevante capítulo. Depois de a Justiça Eleitoral determinar que Rodrigo Ambrósio e Felipe Vilar, responsáveis pelo Bastidor.PE, prestassem informações para esclarecer a procedência da fotografia publicada pelo perfil, os dois recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) por meio de habeas corpus.

A medida chama atenção pelo seu objeto. Ambrósio e Vilar buscam afastar a obrigação de fornecer informações sobre a origem da imagem e também pedem proteção contra eventuais medidas de busca e apreensão e, ao final, salvo-conduto contra uma possível prisão. A pergunta, portanto, torna-se inevitável: o que há na origem dessa fotografia que os responsáveis por sua publicação não querem revelar?

A questão é especialmente relevante porque a fotografia publicada pelo Bastidor.PE está no centro da apuração. Foi a partir desse registro que o suposto panfleto ganhou repercussão pública. Por isso, saber quem produziu a imagem, onde e quando ela foi feita, qual equipamento foi utilizado, quem enviou o arquivo e como ele chegou ao perfil pode ser determinante para reconstruir a cadeia de produção e circulação do material.

Foi justamente para buscar essas respostas que a Justiça Eleitoral determinou a prestação das informações e a atuação da Polícia Federal na investigação. Agora, em vez de simplesmente apresentar os dados solicitados, os responsáveis pelo perfil escolheram a via judicial para tentar afastar essa obrigação.

O habeas corpus é um instrumento legítimo de defesa e seu ajuizamento, isoladamente, não representa confissão nem comprova a autoria da fotografia ou do panfleto. Mas, politicamente e no contexto da investigação, a resistência em revelar a procedência da imagem amplia uma dúvida que até agora permanece sem resposta.

Se a fotografia apenas chegou ao Bastidor.PE por meio de uma fonte, por que sua procedência não pode ser esclarecida às autoridades? Se os responsáveis pelo perfil não participaram da produção do registro ou do material fotografado, por que buscar judicialmente proteção contra determinadas diligências e eventual prisão? São questões que a investigação terá de responder.

O episódio ganha ainda mais relevância diante das ligações profissionais dos personagens com o Governo de Pernambuco. Rodrigo Ambrósio e Felipe Vilar ocuparam cargos na gestão Raquel Lyra, na Secretaria de Turismo. Leonardo Malafaia, apresentado na criação do Bastidor.PE como integrante do projeto, também ocupou cargo comissionado na Casa Civil e foi apontado por reportagens como videomaker da campanha da governadora.

Essas relações, por si só, não comprovam qualquer participação na produção do material. Mas tornam ainda mais necessária uma apuração rápida, técnica e transparente, capaz de afastar especulações e estabelecer fatos.

O caso, portanto, deixou de ser apenas sobre o conteúdo de um panfleto apócrifo. Passou a ser também sobre a origem da fotografia que colocou esse panfleto no centro da eleição — e sobre a razão pela qual aqueles que a publicaram foram à Justiça para tentar não revelar de onde ela veio.

Agora, cabe ao TRE decidir sobre o habeas corpus e à Polícia Federal avançar na investigação. No centro de tudo permanece uma pergunta simples, mas decisiva: quem produziu a fotografia e como ela chegou ao Bastidor.PE? (Via: Blog Magno Martins)

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