A onda de homicídios na última semana no município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, é resultado da guerra entre duas das principais facções que atuam no País. O Comando Vermelho, com origem no Rio de Janeiro, e o Bonde do Maluco, a principal da Bahia, disputam o domínio do tráfico de drogas na cidade.
A coluna Segurança apurou que ambas as facções já atuam em Petrolina, mas a guerra entre elas se intensificou logo após o Carnaval, com mais de dez registros oficiais de mortes nos últimos dias. Além delas, outros grupos criminosos tentam ocupar territórios, ampliando a violência no município.
O Comando Vermelho, com origem no sistema prisional carioca na década de 1970, atua praticamente em todo o território nacional, com foco sobretudo no tráfico de drogas e de armas de fogo. A facção é uma das maiores do País, tendo o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grande rival.
Já o Bonde do Maluco surgiu em 2015 em uma cadeia de Salvador, tendo o PCC como forte aliado na rápida ampliação do domínio de territórios na Bahia. Um relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), produzido em 2023, mostrou que a facção baiana instalou bases em Sergipe, no Piauí e em Mato Grosso do Sul e que tem participação no tráfico internacional de drogas.
A divisa entre Bahia e Pernambuco - com falhas na segurança - facilitou a entrada de membros dessa facção em Petrolina.
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ESCALADA DA VIOLÊNCIA
A escala da violência em Petrolina foi observada ao longo de 2025. De acordo com estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS), 181 pessoas foram assassinadas no último ano, enquanto 168 vidas foram perdidas em 2024.
Em janeiro deste ano, 27 homicídios foram somados pela polícia. Foram 11 a mais em comparação com o mesmo período de 2025. E, agora em fevereiro, os números continuam crescentes.
Uma das vítimas recentes foi John Alisson Oliveira Pinto, de 25 anos. Na noite da última quinta-feira (19), ele e um irmão de 23 anos foram surpreendidos por um homem desconhecido, que se aproximou da dupla e atirou várias vezes. John morreu na frente de casa, no bairro João de Deus. Já o irmão foi socorrido e encaminhado ao hospital. O estado de saúde do sobrevivente não foi divulgado.
Em entrevista à coluna, nesta segunda-feira (23), o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro, confirmou que o município do Sertão de Pernambuco vivencia "uma guerra de facções pelo tráfico de drogas", mas que reforços foram enviados para combater os crimes.
"Na noite do dia 19 [quinta-feira passada], conseguimos prender dois suspeitos de um latrocínio. Um deles é suspeito de mais de uma dezena de homicídios registrados só esse ano na cidade. Ele é membro de uma das facções que disputam território do tráfico na região", afirmou Monteiro.
Com a dupla, a polícia apreendeu uma pistola calibre .380 com dois carregadores municiados, um revólver calibre .38 municiado, além da motocicleta, capacete e aparelho celular da vítima do latrocínio.
REFORÇO POLICIAL EM PETROLINA
Em meio à violência desenfreada, a SDS determinou o reforço policial em Petrolina. Foram destinados 68 policiais militares de diversos batalhões com a promessa de melhorar o patrulhamento preventivo na cidade, além de realizar ações em pontos com maior incidência criminal. A operação é denominada São Francisco.
A Polícia Civil enviou dois delegados, 10 agentes e seis escrivães, que passaram a atuar na Delegacia de Homicídios e nas duas delegacias circunscricionais do município.
"Existem investigações adiantadas para reduzir os crimes em Petrolina. Sabemos que há uma dificuldade do ponto de vista operacional por causa da divisa entre os estados, mas estamos em articulação com a Bahia para trabalhar de forma integrada", disse Felipe Monteiro.
Parte da cúpula da SDS viajou para Petrolina, nesta segunda-feira, onde ocorreu uma reunião emergencial para tratar de novas medidas de combate ao crime. Estão no município a secretaria-executiva da SDS, Mariana Cavalcanti, o comandante-geral da PM, coronel Ivanildo Torres, e a delegada-geral adjunta da Polícia Civil, Beatriz Leite.
"Entendemos que essa reunião presencial era necessária para discutir e alinhar algumas investigações mais complexas", declarou Monteiro.
