Líderes do PT costumam dizer que o partido tem experiência de sobra para saber que ninguém ganha uma eleição de véspera. Apesar dessa retórica, quadros da legenda e aliados do ex-presidente Lula viraram o ano cantando a possibilidade de vitória sobre Jair Bolsonaro (PT) no primeiro turno, com base em pesquisas de intenção de voto que, naquele momento, consideravam tal desfecho possível. Diante dessas pesquisas, alguns experientes petistas subiram no salto e deram a fatura como liquidada. Foi, como se percebe agora, um tremendo erro de avaliação. As informações são da revista Veja.
Desde o início de 2022, Bolsonaro tem recuperado popularidade
e diminuído a diferença para Lula. Levantamento do PoderData, a partir de
entrevistas colhidas entre os dias 10 e 12 de abril, mostrou o petista com
apenas 5 pontos percentuais de vantagem sobre o ex-capitão. Já uma sondagem do
Ipespe, revelou que no Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país,
os dois favoritos estão em situação de empate técnico, considerando a margem de
erro: o ex-presidente tem 34% e o atual mandatário 30%.
Bolsonaro cresceu embalado por medidas do governo destinadas
a turbinar a economia e ajudar a população a enfrentar a crise econômica, como
o Auxílio Brasil, a antecipação do pagamento de 13º salário a aposentados e
pensionistas e a autorização para saque de 1 000 reais nas contas do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Outras ações de apelo popular estão em
gestação. De cima de seu salto alto, o PT ignorou o poder da caneta
presidencial, arma eleitoral que manejou durante 13 anos.
Lula também deu sua contribuição a Bolsonaro ao fazer uma
sucessão de declarações desastradas do ponto de vista eleitoral. Além disso,
como ocorre desde que deixou a prisão, o petista só prega para convertidos, de
artistas a trabalhadores sem terra, passando por sindicalistas. Seu aceno mais
visível ao centro foi a escolha do antigo rival Geraldo Alckmin, que trocou o
PSDB pelo PSB, para o cargo de vice. Fora isso, sua campanha não saiu do
cercadinho, está restrita aos companheiros de sempre e parada no tempo e no
espaço, enquanto Bolsonaro avança com a força da máquina pública.
Cientes da mudança dos ventos, petistas graúdos e amigos de
Lula passaram a cobrar mudanças na estratégia de campanha. Eles querem que o
ex-presidente coloque logo o bloco na praça e enfrente a voz das ruas, como faz
o ex-capitão. Querem também que ele comece a falar para o eleitor moderado e
até de direita, deixando a zona de conforto das plateias camaradas. Outra
sugestão é para que anuncie nomes novos, sem vínculo partidário, como
integrantes da coordenação de sua campanha, a fim de arejar o ambiente e
rebater as suspeitas de que governará com antigos companheiros.
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