Apesar de elogiar a postura do governo Bolsonaro na pandemia, o vice-presidente, Hamilton Mourão, criticou o Planalto pelas escolhas no enfrentamento ao novo coronavírus. Mourão admitiu que o “maior erro” do governo foi não ter feito uma campanha “firme” para orientar a população sobre a Covid-19. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Roberto D’Ávila, da Globonews, na noite dessa terça-feira, e reproduzidas pelo site G1.
Além da pandemia, Mourão também foi questionado, durante a
entrevista, sobre o envolvimento dos militares com a política e, ainda, as
polêmicas na área do meio ambiente.
“Eu vou dizer para ti qual é o nosso maior erro, na minha
visão: a questão de comunicação desde o ano passado. De campanhas de
esclarecimento à população. Acho que esse foi o grande erro, uma campanha de
esclarecimento firme, como tivemos no passado, de outras vacinas, mas uma
campanha de esclarecimento da população sobre a realidade da doença,
orientações o tempo todo para a população. Eu acho que isso teria sido um
trabalho eficiente do nosso governo”, declarou.
Mourão evitou críticas diretas ao presidente Bolsonaro, que
desde o início da pandemia condenou o uso de máscaras, o distanciamento social,
além de fazer propaganda da cloroquina, um medicamentos comprovadamente sem
efeito contra a Covid.
“O presidente tem a visão dele. Eu não coloco nas costas do
presidente essas coisas que têm acontecido. Não é tudo nas costas dele. Cada um
tem a sua parcela de erro nesse pacote todo aí. É um país desigual: desigual
regionalmente e desigual socioeconomicamente. É um país continental”, afirmou.
Militares
na política
Se Mourão ensaiou uma espécie de mea culpa do governo ao analisar
as ações na pandemia, preferiu sair pela tangente sobre outros assuntos
delicados. No caso do envolvimento de integrantes das Forças Armadas
diretamente no governo, o vice-presidente classificou como “missão
constitucional”.
“Eles (militares) estão com a visão de que tem que estar
voltado para suas ações de defesa da pátria. Garantir defesa da ordem quando
acionados”.
Mourão também fez afagos ao ex-ministro da Saúde Eduardo
Pazuello, que recentemente esteve envolvido numa polêmica, após ter participado
de um evento político ao lado do presidente. General da ativa, pelas normas
militares Pazuello não poderia fazer parte do evento. Após pressão de
Bolsonaro, o Exército decidiu não punir Pazuello e, de quebra, ainda
estabeleceu sigilo do processo por 100 anos.
“Pazuello, eu conheço, tenho apreço, me ajudou em momentos
difíceis. O Pazuello deveria ter compreendido que estava em função política (ao
ocupar o ministério), já tinha atingindo o patamar mais elevado (na hierarquia
do Exército) e era hora de ir para a reserva. Teria mais liberdade de manobra
para trabalhar. É o ponto focal da questão”, desconversou.
Também questionado sobre as ações polêmicas do ministro
Ricardo Salles no Meio Ambiente, Mourão procurou enfatizar mais seu papel no
Conselho Nacional da Amazônia Legal: “Trabalhar com pessoas não é simples. […]
A função que tenho no conselho é para criar sinergia. Palavra-chave é
‘cooperação’. Compete a mim fazer trabalho de conhecimento, dizer: ‘Vamos agir
da forma correta'”.
Blog: O Povo com a Notícia