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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Especialistas alertam como identificar as novas estratégias de golpistas contra segurados do INSS

O telefone toca em um horário comercial comum. Do outro lado da linha, uma voz firme, profissional e que demonstra domínio sobre termos técnicos da Previdência Social. O enredo é quase sempre atraente: uma revisão de benefício que pode aumentar a renda mensal ou a liberação de valores "esquecidos" de processos antigos. Para muitos aposentados e pensionistas, o que parece ser uma boa notícia é, na verdade, o início de um pesadelo financeiro.

O aumento de fraudes direcionadas a segurados do INSS disparou no Brasil, e o modus operandi dos criminosos está cada vez mais sofisticado. Se antes os golpes se limitavam a cartas falsas, hoje a investida é digital e psicológica, utilizando desde perfis clonados no WhatsApp até sites que simulam perfeitamente a interface do governo.

O gatilho da urgência
O principal trunfo dos golpistas não é apenas a tecnologia, mas a manipulação emocional. "O golpe costuma criar um senso de urgência para que a vítima não tenha tempo de verificar a informação. Esse é um dos principais sinais de alerta", pontua o advogado Eddie Parish, especialista em Direito Previdenciário e sócio do escritório Parish & Zenandro Advogados.

Segundo Parish, os criminosos exploram a vulnerabilidade de quem depende do benefício para sobreviver. Ao prometerem a liberação de precatórios ou revisões imediatas, eles condicionam o recebimento a um "pequeno pagamento antecipado" de taxas que, por lei, sequer existem.

As faces da fraude: do consignado ao perfil falso
As modalidades de golpe são variadas e se adaptam ao perfil da vítima. Entre as mais frequentes no radar jurídico, destacam-se:

  • A "Falsa Revisão": Promessas de aumento no valor da aposentadoria mediante depósitos prévios para "custas administrativas".
  • Empréstimos Fantasmas: Contratos de consignados feitos sem autorização, muitas vezes através do roubo de dados básicos.
  • O "Doutor" do WhatsApp: Criminosos utilizam fotos, nomes e até logotipos de escritórios renomados para ludibriar clientes que já possuem processos em curso, solicitando pagamentos para "agilizar" o alvará.

Para a advogada Cecília Lopo Salvatore Barletta, também sócia da Parish & Zenandro, o rigor na atualização cadastral é um ponto de atenção. "Nenhum órgão oficial do INSS entra em contato pedindo senhas, fotos de documentos ou pagamentos para liberar valores. Se pedirem isso, é golpe", alerta.

Guia de Proteção: Como não ser a próxima vítima
Especialistas são unânimes: a desconfiança é a melhor ferramenta de segurança. Algumas regras de ouro podem evitar prejuízos irreversíveis:

Canais Oficiais: Qualquer atualização ou dúvida deve ser sanada exclusivamente pelo aplicativo ou site Meu INSS ou pelo telefone 135.
Dados são sigilosos: Nunca forneça códigos de verificação recebidos por SMS ou fotos de documentos para números desconhecidos.
Checagem Jurídica: Antes de assinar qualquer contrato ou transferir valores para um escritório de advocacia, faça uma chamada de vídeo ou vá presencialmente ao local para confirmar a identidade do profissional.
Informação como escudo

A prevenção passa obrigatoriamente pela educação previdenciária. Paloma Barbosa, advogada especialista que atua na linha de frente do atendimento a segurados, reforça que o acolhimento e a orientação jurídica correta são as únicas formas de barrar o avanço dessas quadrilhas.

Se o golpe já ocorreu, o caminho é registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência e comunicar o INSS e a instituição bancária envolvida. "A melhor forma de proteção é a informação. O segurado bem orientado sabe como a máquina pública funciona e não se deixa levar por promessas milagrosas", finaliza Eddie Parish.

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