O telefone toca em um horário comercial comum. Do outro lado da linha, uma voz firme, profissional e que demonstra domínio sobre termos técnicos da Previdência Social. O enredo é quase sempre atraente: uma revisão de benefício que pode aumentar a renda mensal ou a liberação de valores "esquecidos" de processos antigos. Para muitos aposentados e pensionistas, o que parece ser uma boa notícia é, na verdade, o início de um pesadelo financeiro.
O aumento de fraudes direcionadas a segurados do INSS disparou no Brasil, e o modus operandi dos criminosos está cada vez mais sofisticado. Se antes os golpes se limitavam a cartas falsas, hoje a investida é digital e psicológica, utilizando desde perfis clonados no WhatsApp até sites que simulam perfeitamente a interface do governo.
Segundo Parish, os criminosos exploram a vulnerabilidade de quem depende do benefício para sobreviver. Ao prometerem a liberação de precatórios ou revisões imediatas, eles condicionam o recebimento a um "pequeno pagamento antecipado" de taxas que, por lei, sequer existem.
- A "Falsa Revisão": Promessas de aumento no valor da aposentadoria mediante depósitos prévios para "custas administrativas".
- Empréstimos Fantasmas: Contratos de consignados feitos sem autorização, muitas vezes através do roubo de dados básicos.
- O "Doutor" do WhatsApp: Criminosos utilizam fotos, nomes e até logotipos de escritórios renomados para ludibriar clientes que já possuem processos em curso, solicitando pagamentos para "agilizar" o alvará.
Para a advogada Cecília Lopo Salvatore Barletta, também sócia da Parish & Zenandro, o rigor na atualização cadastral é um ponto de atenção. "Nenhum órgão oficial do INSS entra em contato pedindo senhas, fotos de documentos ou pagamentos para liberar valores. Se pedirem isso, é golpe", alerta.
A prevenção passa obrigatoriamente pela educação previdenciária. Paloma Barbosa, advogada especialista que atua na linha de frente do atendimento a segurados, reforça que o acolhimento e a orientação jurídica correta são as únicas formas de barrar o avanço dessas quadrilhas.
Se o golpe já ocorreu, o caminho é registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência e comunicar o INSS e a instituição bancária envolvida. "A melhor forma de proteção é a informação. O segurado bem orientado sabe como a máquina pública funciona e não se deixa levar por promessas milagrosas", finaliza Eddie Parish.
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