Enquanto a Rio-2016 concentra os
holofotes, as olimpíadas escolares de conhecimento - de Matemática, Astronomia
e História, entre outras - sofreram corte de verbas de até 50%. Para manter a
abrangência nos ensinos fundamental e médio e o nível da competição, os
organizadores desses eventos estão procurando formas de reduzir custos e em
busca de patrocínios alternativos.
Maior
competição do gênero no País, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas
Públicas (Obmep), que neste ano terá a participação recorde de 18 milhões de
alunos de 47 mil escolas, é financiada pelo Instituto Nacional de Matemática
Aplicada (Impa). O evento custa R$ 53 milhões - 60% do orçamento do instituto,
ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
E neste ano ainda não recebeu nada dos recursos previstos. "Estamos
fazendo com recursos que sobraram do ano passado. Cortamos brindes, reduzimos
materiais distribuídos ao estritamente necessário para não afetar a qualidade
do evento e manter a premiação, que é importante", diz o presidente do
Impa, Marcelo Viana.
Além da
competição, a Obmep também tem cursos de formação e capacitação para
professores de Matemática, que neste ano sofreram com a redução de custos. Um
dos programas, feito a distância, deixou de pagar ajuda de custo aos
colaboradores e é feito de forma voluntária. O outro, que previa selecionar
1.800 professores para a capacitação, pode abranger apenas metade, caso não
haja a liberação da verba. "O País não aprendeu a se planejar. O Brasil se
tornou destaque em olimpíadas internacionais de Matemática e tem cada vez mais
alunos interessados na competição. Não podemos deixar que esses eventos sejam
desvalorizados."
Procurado, o MCTIC informou em
nota que já liberou R$ 27,6 milhões ao Impa e novos repasses neste ano
"permitirão a continuidade dos projetos".
CNPq: Já a Olimpíada Brasileira de
Astronomia (OBA) enfrenta corte de 50% da verba que recebeu do CNPq, órgão
federal de incentivo à ciência. De R$ 1,2 milhão do custo total, a organização
recebeu R$ 580 mil. Para manter a premiação aos 50 mil primeiros alunos, a
organização recorreu a uma vaquinha virtual para conseguir comprar as medalhas,
que custam R$ 3.
Com o corte, a organização da OBA
também deixou de custear a viagem dos alunos selecionados em anos anteriores
para as competições internacionais. O Colégio Etapa, que teve quatro alunos
escolhidos para participar da competição na Índia no fim do ano, vai ter de
custear as despesas da viagem.
Já a Olimpíada Nacional de
História, feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), teve corte de
35%. Por isso, a organização reduziu de 1.200 para 1 mil o número de finalistas
selecionados para a fase presencial. "A prova final é dissertativa, com
alto custo para a correção. Fizemos isso com muita dor no coração", diz a
coordenadora do evento, Cristina Meneguello.
Em nota, o CNPq confirmou a queda
de recursos. No último ano, o valor total investido foi de R$ 2,93 milhões em
13 olimpíadas. No ano anterior, foram R$ 4 milhões para 14 eventos. (Via: Estado de S.Paulo)
Blog: O Povo com a Notícia
