Uma pesquisa que avaliou a
percepção da sociedade sobre a violência praticada contra as crianças e os adolescentes colocou o Brasil em primeiro lugar como o mais
violento, na comparação com 13 países da América Latina. O
estudo foi divulgado hoje (09), na capital paulista, pela organização social Visão Mundial.
Algumas formas de violência consideradas foram o abuso físico e
psicológico, trabalho infantil, casamento precoce, a ameaça online e a
violência sexual. No Brasil, 13% dos entrevistados enxergam que existe alto
risco dessas práticas contra a criança no país. Em seguida, estão o México, com
11%, o Peru e a Bolívia, com 10%. As melhores percepções foram verificadas em
Honduras e na Costa Rica, com 2%.
No recorte brasileiro, a pesquisa apontou que três em cada dez pessoas
conhecem pessoalmente uma criança que sofreu violência. Além disso, 70%
disseram sentir que a violência
na infância tem aumentado nos últimos cinco anos e 83%
concordam que essa violência pode ter impacto na vida adulta.
O diretor nacional da Visão Mundial, João Helder Diniz, acredita que o
contexto de desigualdade nos países estudados alimenta a violência que, por sua
vez, exacerba a desigualdade. O refúgio das classes mais ricas em condomínios
fechados, para ele, cria um ambiente ainda mais hostil na sociedade.
“Em termos de homicídios, a América Latina responde por 25% no mundo e nós
não estamos em guerra, pelo menos não declarada. Como um continente que vive
uma certa estabilidade política responde por um quarto dos homicídios no
mundo?”, questionou o diretor.
Ambientes de risco: Segundo a pesquisa, o sentimento
do latino-americano é de que o espaço público oferece mais
risco à criança, com 52% das respostas. A casa da criança ficou em
segundo lugar, com 21%, seguida por escola, 13%, transporte público, 6%, e
espaços religiosos, com 3%.
Karina Lira, assessora de
Proteção à Infância da Visão Mundial, disse que a
percepção revelada por essa pesquisa não condiz com a realidade. “O Disque 100
aponta que a maior parte das denúncias de violência está no ambiente
doméstico”, disse.
Outro dado do levantamento, cuja
percepção não condiz com a realidade, segundo a assessora, é o que causa a
violência. A maioria, 65%, acredita que o consumo de drogas e o alcoolismo
tenham relação com a violência. O abuso cometido por pessoas que foram vítimas
no passado ficou em segundo lugar, 55%. O crime organizado foi responsabilizado
por 54%.
Para o estudo, foram ouvidas 6
mil pessoas, com idade acima de 16 anos. Do total, mais de 500 dos pesquisados
eram brasileiros. A pesquisa de campo, feita entre março e abril de 2017,
ocorreu pela internet, exceto em El Salvador, onde as pessoas foram ouvidas por
telefone. (Via: Agência Brasil)
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