A ordem de prisão contra o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já faz partidos políticos repensarem suas estratégias
para a corrida eleitoral deste ano. No PT, a falta de opções é o principal
problema para a candidatura à Presidência.
A
sigla pretende insistir na candidatura de Lula. Usará imagens captadas durante
sua permanência no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, e do
discurso que fez em um carro de som no começo da tarde de sábado (07). Sem o
ex-presidente Lula, o PT tem pouquíssimas alternativas.
O
ex-ministro Jaques Wagner resiste a ser o substituto na disputa pela
Presidência. Ele tem todas as razões possíveis para declinar da honra de
substituir Lula. Investigado em um inquérito da Lava-Jato, Wagner está em busca
de refúgio no foro privilegiado, alternativa que garante um processo mais
moroso aos suspeitos de corrupção. E, ao contrário de muitos outros em situação
semelhante, ele tem um caminho relativamente fácil até seu objetivo. Pode ser
candidato ao Senado pela Bahia, onde terá uma campanha levemente tranquila, ao
lado do governador Rui Costa (PT), que aparece como grande favorito nas
pesquisas e sem concorrentes à altura até agora.
Em
reuniões recentes, Wagner fez oferta diferente aos colegas do PT. Se propôs a
viajar por todo o Nordeste para promover a candidatura de Fernando Haddad, que
considera o substituto ideal para Lula. Wagner alinha até um raciocínio
político coerente. Afirma que sua presença na campanha é capaz de garantir a
vitória de um petista na Bahia. Diz que, com a força de Lula, e uma campanha
que use o ex-presidente como vítima de complô, um candidato petista terá uma
votação significativa no Nordeste inteiro. Acrescenta que Haddad é capaz de
angariar boa votação em São Paulo, onde o PT tem dificuldade — o que ele,
Wagner, não seria capaz de fazer. O resto do PT, no entanto, tem dúvidas.
Haddad é visto como alguém sem traquejo necessário e sem trânsito no partido.
Aliança entre PT e PDT
A
indefinição do candidato petista influencia a estratégia do pré-candidato do
PSDB, Geraldo Alckmin. Anos atrás, a ausência de Lula seria o sonho dos
tucanos. Mas agora é diferente. Apesar de ter alvejado Lula, a Lava-Jato não é
argumento a favor de Alckmin. O ex-governador paulista também é investigado em
um inquérito derivado da operação, que tramita no Superior Tribunal de Justiça
(STJ).
em
Lula, o cenário eleitoral fica extremamente fragmentado, algo prejudicial a
quem tem menos de 10% das intenções de voto. Com menos candidatos, Alckmin
poderia catalisar os votos da direita e da centro-direita. O tucano, no
entanto, terá de disputar palmo a palmo não só com o deputado Jair Bolsonaro,
do PSL, mas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM, e, eventualmente,
até o presidente Michel Temer. No campo oposto, onde antes haveria só Lula,
estará um candidato capaz de ter mais de 10% dos votos, o ex-ministro Ciro
Gomes, pelo PDT, e talvez até o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Joaquim Barbosa, pelo PSB.
Semelhanças com lula
Outro
que enxerga a abertura de um campo fértil no vácuo de Lula é o PSB.
Recém-filiado ao partido, o ministro aposentado do STF, Joaquim Barbosa, ainda
nem teve sua pré-candidatura à Presidência avalizada pela sigla. Mas a saída de
Lula do jogo torna mais provável seu lançamento na disputa.
Não
dá para dizer quem mais ganha com a prisão do Lula. De fato, o Joaquim tem um
perfil parecido com o do Lula, mas não podemos nos precipitar com previsões,
diz o presidente do PSB, Carlos Siqueira.
Um
deputado do PSB, no entanto, avalia que, se for confirmada a candidatura de
Joaquim, ele é o que tem mais potencial de se beneficiar com os votos de
eleitores que optariam por Lula originalmente. Isso porque, assim como o
petista, Joaquim é de origem humilde e tem trajetória de superação.
— O
Lula não vai conseguir, na situação de preso, transferir votos tão fortemente.
O Joaquim é o que mais tem potencial de ganhar votos de Lula. É um homem que
veio de uma classe menos favorecida e conseguiu vencer na vida, analisa o
deputado.
Parlamentar
de destaque no PSOL, o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ) diz que a legenda
participará de todos os atos a favor da liberdade do petista:
—
Quando o debate se dá com tiros e mortes, as coisas passam dos limites. Hoje há
uma oposição entre democracia e barbárie. O PCdoB seguirá a mesma estratégia do
PSOL. No dia em que Sergio Moro ordenou a prisão de Lula, Manuela D’Ávila e os
deputados federais Jandira Feghali e Orlando Silva estiveram ao lado do petista
no Sindicato dos Metalúrgicos. (Via: O Globo)
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